Pela 1ª vez, bolivianos superam japoneses e italianos na capital

Latino-americanos não se concentram só no Pari e Bom Retiro: estão nas zonas leste e norte; oficialmente, são 18,8 mil

O Estado de S.Paulo

05 Maio 2013 | 02h01

Os dados do Censo 2010 registraram um fenômeno inédito na imigração estrangeira em São Paulo. Pela primeira vez, os bolivianos ultrapassaram os japoneses e italianos e se tornaram a segunda maior colônia estrangeira da cidade, perdendo apenas para os portugueses. Além disso, eles não estão mais concentrados nos bairros centrais como Bom Retiro e Pari e se espalharam pelas zonas norte e leste da cidade, onde estão moldando uma nova cultura regional.

Recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registraram 18,8 mil bolivianos com mais de 16 anos na capital paulista em 2010. O número, porém, provavelmente é bem maior, uma vez que imigrantes sem documentos em geral não respondem ao questionário do Censo. A estimativa do Consulado da Bolívia em São Paulo é de que existam hoje cerca de 350 mil bolivianos na cidade - número que não para de crescer ano a ano.

A maior parte desse contingente busca um emprego que pague melhor e acaba indo morar em bairros fora do centro expandido, onde a moradia é mais barata, como Belém, Casa Verde e Vila Medeiros. Esse último bairro, na zona norte, já se tornou o local com o maior número de bolivianos na capital, com 1,7 mil.

"Sempre tivemos bolivianos aqui, mas ultimamente estão chegando muito mais. Sempre vemos rostos novos nas festas e eventos da comunidade", diz Fábio Máximo Sólis, de 38 anos, que mora no Brasil há mais de uma década.

Fábio é um dos organizadores da feira Patujú, que desde 2007 é realizada aos domingos na Vila Medeiros. "É uma maneira de o imigrante matar a saudade de casa", explica.

Quem for lá vai encontrar comidas típicas como fricasé, chicharrón e sopa de mani, além de vendedores de cereais típicos dos Andes e shows de música e danças locais. "Nossa cultura é bem diferente e por isso parecemos ser mais fechados. Muitas vezes os bolivianos acabam convivendo mais com outras pessoas da Bolívia do que com brasileiros, mesmo morando aqui por dois ou três anos", diz Fábio.

Concurso de beleza. Uma das atrações mais esperadas da feira é a eleição da Miss Patujú, que ocorre desde 2007. A vencedora do último concurso foi a estudante Fernanda Parihuancollo Araújo, de 21 anos. Nascida no Brás de pai boliviano e mãe mineira, Fernanda mora na Vila Medeiros desde que tinha 2 anos e conta que sempre teve mais amigos da comunidade boliviana que brasileiros. "Sempre fui muito mais ligada no meio boliviano e aqui existem bares, comércio e serviços voltados especialmente à comunidade."

As regras para o concurso de miss são bem definidas pela organização: só podem concorrer mulheres solteiras, com idade entre 18 e 28 anos, que tenham nascido na Bolívia ou ascendência do país.

As eliminatórias são divididas em fases, que englobam disputas com trajes típicos e vestidos de gala e resposta para duas perguntas feitas a todas as candidatas, que são avaliadas por um júri formado especialmente para essa tarefa.

Pela vitória, Fernanda recebeu R$ 700 - o dinheiro vem principalmente de patrocinadores, como empresas de envio de dinheiro ao exterior e cartões internacionais de telefonia - e a incumbência de participar toda semana da feira Patujú. "Eu adoro, sempre fui em todas as edições da feira desde o início. Tento ajudar no que posso", conta a estudante. / R. B.

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