Jonas de Morais/Futura Press
Jonas de Morais/Futura Press

Peixes mortos afugentam turistas em Mongaguá

Caminhões recolheram 3,5 toneladas das praias, que ficaram com mau cheiro; motivo ainda é desconhecido e será investigado

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2011 | 00h00

Várias praias do litoral sul de São Paulo amanheceram ontem com uma enorme quantidade de peixes mortos. O problema aconteceu em toda a cidade de Mongaguá e no limite do município com Itanhaém, na Vila Loty.

O mau cheiro causado pelos peixes e a larga faixa que eles ocupavam na areia espantaram os turistas que estavam na praia e fizeram alguns paulistanos presentes na cidade anteciparem a volta sem aproveitar o último dia do feriado prolongado.

Pelo menos 3,5 toneladas de peixe haviam sido retiradas das praias de Mongaguá até o meio da tarde de ontem em caminhões do serviço limpeza.

Com o mau cheiro que começou na noite de segunda e continuou durante o dia de ontem, a praia ficou mais vazia do que o esperado. Solange Martins, que trabalha em um quiosque, afirma que o "odor era insuportável pela manhã" e que as pessoas comentavam isso ao deixar a praia. Alguns mais corajosos resolveram esperar pela diminuição do cheiro, que à tarde ainda trazia incômodo.

Explicação. A Diretoria de Meio Ambiente de Mongaguá não soube dizer o motivo do problema. Segundo o oceanógrafo Fernando Gonçalves, uma das hipóteses seria a presença de barcos de pesca de camarão que fazem uma pesca predatória e muitas vezes não estão autorizados a atuar. "Eles chegam a descartar 80% do que colhem. Tivemos relatos de pescadores sobre a presença de barcos na região nos últimos dias."

Esses tipos de barcos fazem a pesca de arrasto, com redes presas e levadas a uma certa profundidade, carregando o que há pela frente. Segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, que enviou técnicos para vistoriar o local, o fato de muitos dos peixes mortos serem de tamanho pequeno indica que eles podem ser mesmo descarte de pesca de arrasto.

Nessa modalidade, os peixes menores são jogados no mar porque têm menor valor comercial e pesca controlada. Há fiscalização do setor para exigir que não sejam pescados peixes que não chegaram à maturidade.

A secretaria diz que realiza a fiscalização por meio da Polícia Ambiental e que não foi efetuada nenhuma prisão ou apreensão de barcos nos últimos dias na região de Mongaguá. Ontem, um barco passava por vistoria em Santos. A sede da Polícia Ambiental no litoral paulista é no Guarujá.

Há ainda um programa federal que monitora embarcações regularizadas de grande porte e é feito pela Secretaria de Aquicultura e Pesca, do governo federal. Pescadores tidos como artesanais, mas que podem usar práticas semelhantes aos pescadores "industriais", não passam por essa monitoramento.

Clima. O oceanógrafo Fernando Gonçalves afirma ainda que a outra hipótese para o aparecimentos dos peixes mortos é a possibilidade de fenômenos climáticos. Como exemplo disso, cita as baleias que encalharam na Praia de Mongaguá e em outras regiões do País no ano passado, além do aparecimento de pinguins e tartarugas.

A Secretaria do Meio Ambiente informou que o problema não foi um fenômeno típico do ambiente marinho, como a floração de algas, comum no verão e que também pode provocar a morte de peixes.

O relatório de balneabilidade das praias divulgado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) na última semana mostrou que, das seis praias de Mongaguá, três (Itapoã, Central e Santa Eugênia) estavam impróprias para o banho em razão da alta concentração de bactéria presente no esgoto.

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