'Pego livro do ensino médio para revisar conteúdo', diz aluna

Estudante de Enfermagem conta que também tem ajuda de colegas que saíram de escolas particulares

O Estado de S.Paulo

19 Maio 2013 | 02h01

Romayne Santos entrou no ano passado como cotista no curso de Enfermagem da Unifesp em São Paulo. A estudante de 19 anos mora na Vila Ema, zona leste, e cursou toda a educação básica na rede pública. Por incentivo da mãe, Romayne resolveu tentar uma vaga na universidade pública, mesmo sem se sentir preparada. "Só soube que a Unifesp tinha cota no momento da inscrição", diz.

Segundo ela, a maioria de seus colegas de escola nem sequer cogitou entrar em instituições estaduais ou federais.

A estudante acredita que o segredo para ser aprovada foi a força de vontade. "Nunca me prendi só ao que via na escola. Estudava muito por conta própria." Embora se considere uma boa aluna, ela tem dificuldade em algumas matérias da faculdade. "Me falta base para entender algumas coisas e não percebo preocupação dos professores em dar atenção extra a pessoas como eu", diz. "Às vezes, chego em casa e pego livros do ensino médio para rever o conteúdo."

Romayne também tem a ajuda de colegas como Nathália Castro e Talita Yukimi, ambas de 21 anos e ex-alunas de escolas particulares. "Já vi colegas reclamarem de professores que voltaram um pouco na explicação porque tinha gente com dificuldade na sala", afirma Nathália. Para Talita, com mais cotistas será necessário que os professores repensem o modo de ensinar. "Vai interferir no andamento das aulas."

As estudantes consideram a adoção de cotas uma medida paliativa. "Serve para o governo camuflar a baixa qualidade do ensino básico. Por outro lado, é uma boa maneira para que algumas pessoas tenham chance de entrar na universidade", afirma Romayne. Para Nathália, a política é injusta. "Uma prima perdeu vaga na Federal de São Carlos para um cotista." Talita concorda: "Reservar 50% das vagas é muito. Sou a favor de 15%". / C.L.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.