Pedreiro vem da BA só para testemunhar

Participação surpreendeu até o advogado que o convocou; defesa sofreu reveses

Bruno Tavares, Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

23 Março 2010 | 00h00

O julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá começou ontem com revés para os acusados. Uma testemunha que não era encontrada apareceu por conta própria, surpreendendo até a defesa, e o juiz Maurício Fossen, que negou os pedidos de nulidades formulados pelo advogado Roberto Podval, deu início aos trabalhos com duas horas de atraso, às 14h17.

Podval reiterou os mesmos pedidos feitos no mês passado em habeas corpus entregue ao Tribunal de Justiça de São Paulo - simulação das teses sustentadas pela defesa; comparação da tela retirada da janela do apartamento do casal com a usada pela perícia; reexame dos lençóis e contraprova do sangue do casal. A defesa queria ainda repetir a reconstituição do crime.

Anteriormente, o desembargador Luís Soares de Melo já havia indeferido os pedidos da defesa, por não vislumbrar nenhuma irregularidade na perícia oficial. A defesa do casal também solicitou a transmissão do júri, o que foi negado por Fossen.

Após análise dos pedidos preliminares, o juiz deu início à escolha dos sete jurados. Dos 40 convocados a comparecer ao Fórum Regional de Santana, na zona norte, 28 se apresentaram. A defesa vetou uma mulher, que declarou ser mãe de gêmeos. O promotor Francisco Cembranelli também recusou uma mulher. O conselho de sentença acabou composto por quatro mulheres e três homens. Cinco deles disseram que nunca haviam participado de um júri.

Desistência. Das 23 testemunhas arroladas pela defesa e pela acusação, sete acabaram dispensadas. A assistente de acusação desistiu da oitiva de Rosa Cunha de Oliveira, avó materna de Isabella. A defesa do casal abriu mão de Geralda Afonso Fernandes, que teria ouvido uma voz infantil dizendo "Para, pai!", dos escrivães Paulo Vasan Geu e Adriana Mendes Porusselli e dos investigadores Luiz Alberto Spinola, Waldir Teodoro Mendes e Cláudia Mercado.

Chefe dos investigadores do 9º Distrito Policial, Spinola ficou decepcionado ao ser dispensado. "Gostaria de ficar só para detonar esse casal", afirmou. "Não conheço um advogado que entenda o motivo da minha convocação. Na minha opinião, era um suicídio para a defesa."

O policial disse ainda que os advogados do casal se surpreenderam com a apresentação do pedreiro Gabriel dos Santos Neto, tido como uma das mais importantes testemunhas da defesa. Ele trabalhava como pedreiro em uma obra vizinha ao London e, na época do crime, declarou à polícia que o canteiro havia sido invadido por um ladrão no dia do crime. Diante das dificuldades em intimá-lo, o advogado Podval cogitou pedir o adiamento do júri. "Ele ficou sabendo do julgamento pela televisão, tomou um ônibus na Bahia e se apresentou espontaneamente no Fórum hoje (ontem), às 10h30", contou Spinola. "Isso quebrou as pernas da defesa do casal."

Próximos passos. Apesar da demora inicial de ontem, acredita-se que os trabalhos sejam concluídos nesta semana. Depois da fase dos depoimentos, será a vez dos debates entre a acusação e a defesa. Cada um terá o direito de falar por duas horas e meia. Se a promotoria quiser, poderá usar mais duas horas para réplica, o que automaticamente dará direito à defesa de usar o mesmo tempo para tréplica.

Terminado o debate, os jurados serão questionados pelo juiz se têm condição de julgar o caso e se querem alguma explicação. Se o júri responder que sim, todos passarão à sala secreta e decidirão o destino do casal Nardoni.

Em caso de condenação, dificilmente os réus terão o direito de recorrer dessa decisão em liberdade. Se forem absolvidos, o juiz Maurício Fossen terá de emitir um alvará de soltura ao término da sessão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.