Pedreiro diz que derrubou 4 paredes

Ele sobreviveu se escondendo no elevador do Edifício Liberdade; prédio tinha várias janelas abertas irregularmente na lateral

O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h04

O auxiliar de pedreiro Alexandro da Silva Fonseca, que ganhou notoriedade por ter sobrevivido ao colapso do prédio se escondendo dentro do elevador, confirmou ontem ter derrubado quatro paredes para a realocação dos banheiros no nono andar do Edifício Liberdade. Destacou, no entanto, que os pilares e estruturas de concreto do andar foram mantidos de pé.

Em entrevista coletiva concedida ontem, Sérgio Alves, um dos sócios da Tecnologia Organizacional (TO), a empresa que contratou as obras para o terceiro e o nono andares, alegou que as intervenções no nono andar tinham começado havia apenas oito dias. Ele reconheceu que o laudo pedido pelo síndico, Paulo Renha, não tinha sido entregue, pois o engenheiro calculista Paulo Sérgio Cunha Brasil, contratado pela companhia, precisou resolver problemas pessoais.

O sócio disse que o síndico do prédio foi comunicado e recebeu uma autorização verbal para iniciar a reforma e entregar o laudo em até 15 dias. Segundo ele, começou então o trabalho de derrubada de paredes divisórias de um banheiro e retirada de entulho - 80% do material já havia sido removido. Alves reafirmou que o tipo de reforma realizada era de adequação e as obras não interferiam na estrutura nem na fachada do prédio e, por isso, não havia necessidade de autorização da Prefeitura.

"O andar é sustentado pelas pontas. Praticamente todos eram vãos livres", afirmou o sócio da TO. Ele reconheceu, no entanto, que foi feita uma abertura de janela no 10.º andar, o que não é permitido, argumentando que outros condôminos já haviam feito o mesmo - inclusive o síndico. "Nós éramos os inquilinos mais caprichosos. Não quero ser injusto, como acho que estão sendo comigo", disse, após citar outras obras em andamento no prédio.

Fotografia tirada pelo Estado apenas um dia antes do desabamento dos três prédios no centro do Rio mostra que a lateral do prédio realmente tinha mais de uma dezena de janelas.

Acompanhado por um time de advogados, o síndico Paulo Renha, terminou seu depoimento à polícia no início da noite. Responsável pelo Edifício Liberdade, ele informou que obras no edifício eram de reforma e modernização, mas não confirmou se as paredes internas de um dos andares haviam sido removidas. Ele disse que só se pronunciará sobre o desabamento após a conclusão do parecer técnico sobre o incidente. Renha disse ainda que foi o advogado do condomínio, Geraldo Beire Simões, quem cuidou da documentação referente às obras. "O advogado do condomínio é o doutor Geraldo e é ele quem sabe o que tinha de fazer na parte de documentação. Na condição de síndico, pedi a ele que tomasse as providências necessárias e tenho certeza de que foram tomadas", disse.

Fiscalização. Ao ser perguntado se havia solicitado a consultoria de um engenheiro para as obras, Renha argumentou que esse não era seu papel.

"Não tenho que chamar engenheiro nenhum para fazer consultoria. Eu sou síndico do prédio. Não sou nem da prefeitura nem do CREA", declarou, na saída da delegacia.

O delegado titular da 5.ª DP, Alcides Alves Pereira, que dirige o inquérito criminal sobre a tragédia, informou que os responsáveis pelo colapso dos prédios vão responder por desabamento qualificado, cuja pena vai de 2 a 4 anos. / ALFREDO JUNQUEIRA, BRUNO BOGHOSSIAN, FELIPE WERNECK, GLAUBER GONÇALVES

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.