Pedreiro de Atibaia faz obra de enchentes há 3 anos

Celso Aparecido Bueno, de 53 anos (na foto), trabalha há três para recuperar um terreno de Atibaia onde houve deslizamentos de terra nas enchentes de 2010. Até hoje, a área de 15 mil metros quadrados está interditada. Bueno tentou até acelerar a contenção dos barrancos com medo das chuvas de dezembro e janeiro.

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2014 | 02h06

"Agora estou muito mais preocupado com o fim da água no poço lá do meu bairro. Temos um poço para dividir em quatro famílias que está secando", conta o pedreiro, que mora no Bairro do Portão, uma das regiões de Atibaia que ficaram submersas há quatro anos, na cheia do Rio Atibaia.

Bueno diz que o Córrego Onofre, um dos afluentes do Atibaia e que corta seu bairro, secou. "Do jeito que a seca está, nós vamos, com certeza, ficar sem água no inverno. É só ver as pessoas atravessando a pé o Rio Atibaia, pelas pedras, para saber disso", conta o pedreiro. "A chuvinha que caiu até agora não deu nem para limpar os bueiros. Nunca vi chover tão pouco em 53 anos por aqui."

O pedreiro está certo em sua impressão. Depois das enchentes que fizeram os reservatórios do Cantareira atingirem nível recorde de 100% em janeiro de 2010 e 2011, os três verões seguintes tiveram pouca chuva. Ao longo de 2013, apenas 1.090 milímetros foram registrados nas quatro represas que formam o sistema. A média histórica anual é de 1.566 mm.

Em nove dos 12 meses do ano passado a precipitação foi inferior ao esperado, segundo dados da Sabesp. O mês de dezembro foi o pior em 84 anos: teve 62 mm de chuva, ante a média histórica de 226 mm. Janeiro se manteve seco e o índice pluviométrico ficou em 87,8 mm - a média é de 260 mm.

Em nota, a Sabesp informou que não adianta chover forte na capital porque não existe meio de represar a água em São Paulo. "Não há mais possibilidade de criar uma represa na capital, pois o espaço necessário é imenso. Seria como construir uma nova Guarapiranga."

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