Pedir refúgio humanitário garante auxílio médico

Processo é um atalho na tentativa de legalização, mas no Canadá pode terminar até com a deportação imediata

Alessandra Cayley, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

O Brasil conta com mais de 4 mil refugiados estrangeiros - em maio, eram 1,1 mil só em São Paulo. A maioria atraída pela paz e estabilidade no País. No exterior, porém, já há brasileiros pedindo refúgio humanitário, alegando risco de vida por aqui. Um dos exemplos, no Canadá, é Argélia Moura Costa Benevides. Ela só queria quitar sua casa em Governador Valadares (MG). Os R$ 1 mil que ganhava dos dois empregos como help desk não estavam sendo suficientes para pagar as contas. Em 2002, resolveu acompanhar a amiga que estava de malas prontas para o Canadá. As duas chegaram a Toronto no dia 12 de outubro, "Dia de Nossa Senhora Aparecida", lembra.

Na conhecida Avenida St. Clair West, um dos redutos de portugueses e italianos na cidade, destino certo para brasileiros recém-chegados e à procura de empregos informais, trabalhou como auxiliar de cozinha. Depois fez serviços em açougue e padaria, sempre na mesma região. Mas não quis ficar ilegal e arriscou entrar no processo de refúgio humanitário. Isso porque, enquanto o processo é julgado, o refugiado ganha autorização para usar o sistema de saúde do país e trabalhar.

Mas são raros os casos de brasileiros que conseguem refúgio. Uma vez negado, o indivíduo é deportado e tem de deixar o Canadá quase que imediatamente. Ficando, torna-se ilegal e, se for detido, será preso e deportado. Argélia teve o refúgio negado e acabou deportada em 2006. Justamente quando estava com casamento acertado com o atual marido, o canadense Joe. Ele entrou com um processo de legalização e, em maio, levou Argélia de volta a Toronto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.