Pedidos incluem até lanchinho da tarde

Entre os clientes assíduos, mulheres que trabalham foram e não têm empregada e acompanhantes de pessoas internadas em hospitais

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h05

Assistente de diretoria de uma empresa, Rosana de Campos Fernandes, de 48 anos, é a cliente que todo restaurante gostaria de ter. Ela está entre os usuários recordistas do sistema de delivery na cidade. Costuma pedir café da manhã, almoço e jantar em diferentes casas da cidade. Às vezes, encomenda até o lanchinho da tarde.

Divorciada e mãe de dois filhos - Lucas, de 18 anos, e Rhenan, de 26, que ainda moram com ela -, Rosana não tem empregada doméstica. Por volta das 6 horas, sai de casa, nas proximidades do Horto Florestal, na zona norte. Às 7 horas, chega à empresa, que fica na Vila Olímpia, zona sul, e só vai embora quando o trânsito começa a acalmar. "Chego em casa por volta das 9h da noite e não tenho fôlego para cozinhar. Logo depois, meu filho chega da faculdade, faminto. A saída é apelar para a comida pronta novamente."

Nos restaurantes perto de sua casa, atualmente Rosana pede refeições completas que vão de estrogonofe a peixe com salada. "Ultimamente tenho optados por pratos mais leves. Pedíamos muita pizza e sanduíche. Todos em casa engordaram."

De acordo com a pesquisa da iFood, em toda a cidade 44% dos pedidos são de sanduíches e pizzas. Logo a seguir vem a comida árabe, com 13% da preferência.

Comida árabe. Rosana pede comida árabe no almoço pelo menos três vezes por semana, sempre no mesmo restaurante, o Baruk, na Vila Olímpia, que faz 50 entregas por dia na região. O gasto médio dos pedidos é de R$ 35. "Esfiha e combinados de kafta de carne e frango (no espeto) com acompanhamentos são os pratos mais pedidos", diz a proprietária, Denise Batistel. Rosana segue o gosto da maioria.

Na Desfrutte, rede de sucos e sanduíches naturais, o cliente de delivery gasta em média R$ 25, menos que no Baruk, o que eleva o movimento diário do delivery para 80 pedidos. Vale destacar que comida natural representa apenas 7% de todas as solicitações da cidade.

Entre os clientes mais assíduos do iFood, há também paulistanos que estão acompanhando pacientes internados em hospitais. Tem ainda o caso de uma médica que está acamada em casa e no ano passado fez 380 pedidos de delivery.

Alto custo. "Em geral, são pessoas com alto poder aquisitivo", diz Eduardo Fernandes, sócio da iFood. "Pedir pratos mais elaborados do que um sanduíche representa um gasto bem maior."

Rosana chegou a fazer a conta de quanto os pedidos de delivery representam hoje nas suas despesas mensais. "São R$ 1.200 em média. Estou pensando em contratar uma empregada. Mas tem de ser alguém que cozinhe e isso não é tão fácil", diz ela. "Hoje pedir comida pronta em casa ou no escritório é a melhor solução para mim. Mas não sei se sairia mais barato somando as despesas do supermercado e da empregada."

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