Pedestres correm risco na Faria Lima

Obra de revitalização esburacou calçada da avenida e, quando chove, é preciso andar no meio da lama; comerciantes também reclamam

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h03

Os pedestres que circulam pela Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona sul, uma das vias mais nobres e tradicionais de São Paulo, têm enfrentado buracos, obstáculos e, nos dias de chuva, muita lama no trajeto pelas calçadas. Desde novembro, a Prefeitura revitaliza 2,2 km da avenida - projeto que prevê reformas de acessibilidade, iluminação, padronização do passeio e do mobiliário urbano.

A principal ação da obra é o enterramento dos fios, o que exige que calçadas sejam perfuradas e, nos últimos meses, tem feito com que os pedestres percorram as ruas em zigue-zague. Com o fim das reformas, previsto para agosto, a administração promete calçadas mais largas, com piso de concreto armado e acessíveis a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Atualmente, a reforma está sendo realizada no trecho entre a Avenida Cidade Jardim e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva. A revitalização faz parte do Plano Emergencial de Calçadas (PEC), de 2008. Segundo a Subprefeitura de Pinheiros, serão investidos ao todo R$ 10 milhões.

A recepcionista Cristina Almeida, de 29 anos, é uma das "vítimas" dos buracos. Desde que escorregou em uma das calçadas, ela leva um par de tênis para enfrentar o "canteiro de obras". "Tem muita lama e, se você não está prestando atenção, é um chamativo para acidentes", disse. "Não dá para sair de salto. Troco de sapato no escritório antes de vir almoçar."

Para o analista de sistemas Daniel Ihitz, de 53 anos, é comum que uma obra traga transtornos, mas, para ele, a da Faria Lima "está um desastre". Todos os dias, quando sai para almoçar em restaurantes próximos de seu escritório, Ihitz se estressa com as obras. "Eles poderiam muito bem colocar um tapume de madeira. Pessoas idosas e mulheres de salto estão correndo perigo de cair", reclamou.

Aos 70 anos, a secretária Neusa Rodrigues começou a trazer a própria comida para o trabalho na tentativa de evitar circular pela avenida. "É um desespero. Como isso pode ficar assim?"

Transtorno. Os comerciantes da região também estão insatisfeitos. "Deixaram o buraco aberto na calçada aqui da frente e a madeira que estava em cima apodreceu. O carro de um cliente estacionado ficou preso e só o guincho foi capaz de tirá-lo de lá", disse a gerente de uma loja de carnes, Rosângela Carvalho, de 35 anos. Ela contou também que há um impasse sobre de quem é a responsabilidade pelos danos ao veículo. "A proprietária da loja está resolvendo se vai pagar pelo conserto do carro."

Desde que a obra de revitalização chegou à porta do restaurante japonês Yo-Kota, os clientes sumiram. Emerson Luiz de Souza, subgerente do estabelecimento, conta que já recebeu diversas ligações de clientes perguntando se o restaurante está em reforma. "Nosso movimento diminuiu muito, é só olhar para o salão." Ontem, às 13h, apenas uma pessoa estava almoçando no restaurante.

A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras afirmou que as obras nas calçadas só podem ser feitas depois que o enterramento da fiação for concluído. O órgão informou que os trabalhos de enterramento são realizados pela AES Eletropaulo.

A empresa, porém, disse que já concluiu as reformas no trecho em obras atualmente. Procurada novamente às 19h, a secretaria disse que não poderia informar qual empresa atua na região por causa do horário. / COLABOROU BRUNO RIBEIRO

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