Andre Dusek/AE-07/5/2010
Andre Dusek/AE-07/5/2010

Pedestre terá de erguer mão na faixa

Campanha contra os atropelamentos recomendará a motoristas que parem diante do gesto, em locais onde não há semáforos

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

Um pedestre se aproxima da faixa de segurança, estica o braço para a frente e logo em seguida todos os carros param para esperar sua passagem. A cena comum em Brasília e nos países desenvolvidos pode começar a virar realidade em breve em São Paulo. Pelo menos é o que espera a Secretaria dos Transportes, que na segunda vai começar a orientar as pessoas a fazer o movimento sempre que forem atravessar uma rua ou avenida na faixa - em locais onde não há semáforos.

A recomendação estava presente em uma portaria publicada na edição de ontem do Diário Oficial da Cidade. Os pedestres devem fazer o sinal com o braço para solicitar a parada dos veículos sempre que a distância entre os dois for de até 50 metros. O texto, no entanto, faz a ressalva de que as pessoas a pé devem levar em conta a "visibilidade, a distância e a velocidade" dos automóveis para evitar acidentes.

Outra recomendação é que o chamado "gesto do pedestre" seja feito em vias mais movimentadas apenas quando houver um grupo de pessoas para atravessar. Sempre que houver agentes de trânsito, continua valendo a determinação da autoridade.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirma que vai inicialmente orientar motoristas e pedestres sobre o respeito aos sinais. "Nas próximas semanas, a 1.ª Zona de Máxima Proteção ao Pedestre na região central e Avenida Paulista receberá uma ação específica para a orientação de pedestres e motoristas em relação ao uso do "Gesto do Pedestre"", informou. Em um segundo momento, haverá aperto na fiscalização e, consequentemente, aumento na quantidade de multas aplicadas.

Brasília. O sinal com o braço acabou virando uma das marcas do bem-sucedido programa implementado em Brasília para aumentar o respeito aos pedestres. A medida, no entanto, veio acompanhada de educação de motoristas de ônibus e táxis, orientação de pedestres e motoristas em todas as faixas e depois um aperto na aplicação de multas.

Para especialistas, a adoção do gesto pode ser prematura. "Em Brasília, melhorou bastante, porque houve um programa intenso e com muita punição, muitas multas", diz o professor da USP Jaime Waisman. "É preciso colocar semáforos com foco para pedestres e agentes em todos cruzamentos, se quiser que a campanha dê certo", diz o consultor Horácio Figueira.

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