Pedestre fica sem lixeira nas ruas da cidade

Das 340 vistoriadas pelo 'Estado' em cinco vias movimentadas, 142 não tinham condição de uso

Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2010 | 00h00

Comer um sanduíche ou sorvete em uma rua de São Paulo parece tarefa simples. O problema é o que fazer com a embalagem. O "Estado" percorreu durante dois dias cinco vias movimentadas e viu, em todos os locais, o mesmo problema: quarteirões inteiros sem lixeira ou com o equipamento quebrado. Das 340 lixeiras, 142 haviam sido furtadas ou estavam danificadas.

Na Avenida São João, no centro, das 77 lixeiras, 26 estavam quebradas, arrancadas, fora do lugar ou queimadas. Na Avenida Ipiranga, mais vandalismo: 15 das 49 lixeiras estavam sem condição de uso. "Quando você quer jogar algo fora, só encontra a tampa, quando encontra", diz o auxiliar administrativo Milton Fernandes Júnior, de 24 anos.

Segundo o gari Hélio Souza, de 52, que trabalha há nove na área da São João, os moradores de rua quebram as lixeiras e as levam embora. Enquanto falava com a reportagem, o gari colocou de volta uma lixeira retirada por uma sem-teto. Minutos depois, a lixeira já estava fora do lugar de novo.

Na Rua Domingos de Morais, na zona sul, a situação é ainda mais grave: nos 3.124 metros da via, só oito lixeiras estavam inteiras. Outras 27 haviam sido arrancadas - só restou o suporte.

Improviso. Sem ter onde jogar o lixo, o jeito é guardá-lo na bolsa até chegar em casa. É o que faz a infectologista Renata Nunes, de 28 anos, que mora e trabalha na Vila Mariana e passa todos os dias pela rua. "Mas não é todo mundo que guarda na bolsa e há certo tipo de lixo, como o orgânico, que não dá para guardar."

Na rua, mais soluções foram improvisadas pelos comerciantes. No lugar de uma lixeira arrancada, uma sacola foi amarrada ao suporte. "Trabalho aqui desde setembro e já encontrei a lixeira arrancada. Ninguém nunca veio arrumar", conta o vendedor de milho Sivaldo Pereira, de 54 anos, que também tem uma sacola presa ao carrinho.

Na Rua da Mooca, zona leste, 63 lixeiras estavam inteiras. Outras 29 foram furtadas e cinco estavam sem tampa ou rachadas. "Tinham de arrumar lixeiras mais seguras", diz o aposentado Levy Rodrigues de Souza, de 71 anos. Em um posto de combustíveis, funcionários brigam para preservar um exemplar. "Um dia chegamos de manhã e ela estava no chão. Amarramos com arame para colocar de volta", conta o frentista José Cândido da Silva, de 39 anos.

Na Avenida Braz Leme, na zona norte, de 87 lixeiras, 45 haviam sido arrancadas e outras quatro estavam sem tampa ou quebradas. Uma delas, segundo o jornaleiro João de Oliveira, de 62 anos, foi arrancado de um ponto de ônibus pelo próprio gari. "Sempre teve pouca lixeira. E o problema é que ninguém arruma quando elas quebram."

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