Pedestre em Higienópolis tem 6 segundos de sinal verde para atravessar cruzamento

Intervalo de 19 segundos totais é insuficiente para uma travessia segura, principalmente para os idosos

O Estado de S. Paulo,

12 de novembro de 2012 | 19h40

SÃO PAULO - Quem precisa atravessar a Rua Doutor Veiga Filho, no cruzamento com a Rua Conselheiro Brotero, tem apenas seis segundos de sinal verde, tempo insuficiente para completar toda a travessia. Depois desse tempo, o farol permanece piscante no vermelho por mais 13 segundos, totalizando 19 segundos. O intervalo é insuficiente para uma travessia segura, principalmente num bairro cuja a proporção da população de idosos é quase duas vezes maior que no restante da cidade.

Quem afirma é o especialista Horácio Augusto Figueira, mestre em engenharia de transportes pela Universidade de São Paulo. Ele explica que um idoso que tenha dificuldade de locomoção anda cerca de 70 centímetros por segundo, como a faixa de pedestre, que fica na parte mais larga da via, tem cerca de 16 metros, seriam necessários pelo menos 23 segundos para garantir a travessia de alguém na faixa dos 70 anos. "Ou seja, esses 19 segundos totais são insuficientes", diz ele.

Nos quatro quarteirões em torno do cruzamento vivem 4 mil pessoas, sendo que 917 delas têm mais de 60 anos, mostra o levantamento do Estadão Dados com base no Censo 2010. Em porcentagem, os idosos são 23% da população da área. É o dobro do porcentual de idosos da cidade de São Paulo, onde 12% da população tem acima de 60 anos. Além disso, há um hospital numa das esquinas e uma unidade do Colégio Rio Branco a menos de 300 metros do local.

A CET promoveu neste ano algumas mudanças no tempo das cores dos semáforos. O tempo do verde para pedestres foi reduzido e o vermelho piscante, ampliado. De acordo com a CET, o pedestre deve apenas iniciar a travessia no verde. O vermelho piscante é para completá-la. Antes, segundo o órgão, esse intervalo era insuficiente. Na visão de Figueira, a Companhia deveria ter aumentado o tempo total para o pedestre, "tem de passar a sensação de segurança para estimular as pessoas a andarem a pé, mas a prioridade da CET é o fluxo de veículos".

O vídeo abaixo gravado, às 13h15 da última sexta-feira, 9, mostra os empecilhos enfrentados pelos transeuntes, não só pelo tempo, como também pelos motoristas que invadem a faixa de pedestre. "O motorista, o motoqueiro vêm o vermelho piscante e acham que o sinal já vai abrir para o veículo. Então começam a avançar na faixa", completou Figueira.

 

 

Acidentes. Em junho de 2011, Estela Schechner, de 91 anos, morreu atropelada ao atravessar a Rua Conselheiro Brotero - na faixa de pedestre na frente do Hospital Samaritano. Estela andava de bengala e o sinal estava verde para pedestres. Em setembro de 2009, a câmera de segurança de um prédio flagrou uma jovem sendo atropelada nas esquinas das ruas Doutor Veiga Filho com o Conselheiro Brotero.

Outro lado. Técnicos da CET iriam vistoriar o semáforo na manhã desta segunda-feira, mas em razão da chuva a análise foi adiada para o período da tarde. O estadão.com.br não recebeu retorno da companhia até 19h30.

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