Pedágio por km rodado multará por velocidade

Aparelhos vão calcular tempo em que carro percorre estrada e checar respeito a limites

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

22 Março 2012 | 03h03

O governo estadual pretende tornar mais rígida a fiscalização de velocidade nas rodovias paulistas. A Secretaria de Logística e Transportes vai testar um novo sistema de aplicação de multas com base na velocidade média dos veículos. Pórticos que serão instalados para calcular a tarifa de pedágio a cada quilômetro rodado também vão estimar o tempo que um automóvel gasta para percorrer determinado ponto da estrada e identificar o motorista que trafega acima do limite permitido.

Os testes estão previstos para começar no próximo dia 9 na Rodovia Dom Pedro I (SP-65), no trecho próximo de Itatiba (a 87 quilômetros da capital), quando também devem começar os testes desse novo sistema de cobrança de pedágio, projeto estudado desde 2010. A previsão é de que o modelo esteja em funcionamento e seja adotado em todo o Estado no próximo ano.

A ideia do novo modo de fiscalização de velocidade é acabar com a prática de motoristas de dirigir acima do limite de velocidade e frear perto dos locais onde estão em funcionamento os radares comuns. Em uma rodovia, por exemplo, com velocidade máxima permitida de 100 km/h, uma das antenas do pedágio registrará a passagem do carro em determinado ponto e, caso o veículo atinja outra antena distante a 100 km em menos de uma hora, o condutor poderá ser multado por correr demais.

Vale destacar que, na prática, as antenas deverão ser instaladas a cada quilômetro uma da outra. Os testes vão verificar se o sistema de fiscalização funciona enquanto, paralelamente, a secretaria desenvolve estudos para garantir que a legislação de trânsito vigente permite esse tipo de fiscalização.

Pedágio. A cobrança de pedágio por quilômetro rodado, chamado de Ponto a Ponto pelo governo, será executada para promover mais "justiça" - uma promessa de campanha do governador Geraldo Alckmin (PSDB) -, diferentemente das tarifas aplicadas hoje em praças de pedágio.

Os carros precisarão ter um chip instalado no para-brisa. As antenas, posicionadas por toda a extensão da rodovia, vão detectar a passagem do veículo ao longo da estrada e vão calcular quantos quilômetros de via o veículo percorreu. Assim, o sistema multiplicará o valor da tarifa pela quilometragem percorrida (a média é de R$ 0,08 por km). A tarifa será debitada da conta corrente do motorista.

O modelo é adotado por países da Europa e por alguns Estados dos EUA e evita que carros que usam um trecho curto da estrada paguem o valor da tarifa cheia do pedágio convencional.

Segundo o governo estadual, as mesmas antenas farão os dois serviços - cobrança de pedágios e fiscalização da velocidade. Mas não há previsão de retirada dos radares convencionais, que atualmente também verificam a situação da documentação dos veículos. Esses dados são usados pela Polícia Militar Rodoviária para aplicação de multas.

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