Pedágio maior encarece custo de empresas e preço de produtos

Desde anteontem, viações interestaduais e internacionais podem aplicar reajuste de 5,01% em coeficientes de tarifas

, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2011 | 00h00

Com 260 carretas, a TransReal Logística, de São José do Rio Preto, vai gastar cerca de R$ 440 mil com pedágios, mas a reclamação não é apenas com o "reajuste absurdo" da tarifa. "Nossos motoristas reclamam especialmente da falta de segurança", diz o gerente geral da empresa, Antônio Marcos Rodrigues. "Eles não têm onde deixar carretas, não têm onde tomar banho e dormir, se sentem sem segurança."

Segundo ele, por causa disso, a empresa mantém, por conta própria, um posto de serviços para receber motoristas entre o Porto de Santos e Rio Preto.

A TransReal transporta 4,2 mil toneladas de produtos por semana pela Rodovia Washington Luís - a maior parte de carnes para exportação e móveis que vão para São Paulo e Porto de Santos. O custo da viagem sai R$ 1.930 por carreta - R$ 800 são de pedágio e R$ 950, de combustível. "É um custo elevado, porque, além da tarifa, que é muito alta, e da falta de segurança para o motorista, o seguro da rodovia praticamente não existe. Quando ocorre um problema, acionamos direto o seguro da empresa, porque o da rodovia serve apenas para limpar a estrada e levar o veículo ao posto mais perto."

As assessorias das concessionárias responderam que cumprem as obrigações contidas nos contratos de concessão, que preveem, entre outros pontos, monitoramento 24 horas com câmeras, postos de Call Box a cada quilômetro de cada lado da pista, além de atendimento de UTI móvel, serviços de ambulância 24 horas e outros atendimentos.

Consumidor. O reajuste dos pedágios já está sendo repassado a outros serviços e, no fim, quem arcará com o aumento são os consumidores finais. Desde anteontem, empresas de ônibus interestaduais e internacionais estão autorizadas a aplicar reajuste de 5,017% nos coeficientes usados para calcular tarifas. "Esses reajustes influenciarão também os preços dos produtos transportados", diz o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas da Região de Rio Preto, Kagio Miúra. Segundo ele, ao contrário da TransReal, a maioria das empresas vai repassar os aumentos aos clientes e estes, por sua vez, devem embutir o reajuste nos preços dos produtos.

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