Peças imperiais vão a leilão no Morumbi

Boneca que foi da princesa Isabel e retrato de d. Pedro II estão entre os itens da coleção que será oferecida hoje na Casa da Fazenda

Lais Catassini, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2010 | 00h00

O vestido de renda que envolve a boneca de madeira denuncia a antiga dona do brinquedo. A riqueza da roupa e dos acessórios de pérolas que enfeitam o objeto de 33 centímetros parece vir de uma princesa, como Isabel, a segunda filha de d. Pedro II. Guardada em uma caixa, a boneca é um dos itens que serão leiloados hoje pela Dutra Leilões. O lance mínimo é de R$ 1.800.

Até o pregão, a coleção, que inclui um retrato de d. Pedro II estimado em R$ 150 mil, a peça mais valiosa à venda, estará exposta na Casa da Fazenda do Morumbi, na zona sul de São Paulo.

Os lotes, que provavelmente vão para coleções particulares, contam um pouco da história do Brasil Imperial e a exposição pode ser a última oportunidade para conferir algumas das peças. "Os museus brasileiros, infelizmente, não participam desse mercado. Esses objetos acabam ficando com colecionadores, que também não procuram doar para instituições", diz o leiloeiro Luiz Fernando Moreira Dutra, organizador do leilão.

Raridades. As raridades passam de colecionadores para outros colecionadores. Dutra conta que muitas famílias procuram leiloeiros para avaliar objetos herdados ou passar algumas raridades a pessoas capazes de preservar o patrimônio. "Motivos econômicos também levam colecionadores a se desfazer de objetos", diz ele.

O médico e colecionador Manuel Fernando Queiroz dos Santos, de 56 anos, está sempre em busca de objetos imperiais. Um leque que pertenceu a Marília de Dirceu, musa de Tomas Antonio Gonzaga, é uma das preciosidades a que ficará atento. "É um objeto que faz parte da história. Tem origem atestada e registro em órgãos competentes", diz.

Apesar da riqueza de alguns objetos, como um quadro de Benedito Calixto avaliado em R$ 55 mil, há ainda itens com lances mínimos de R$ 300.

"As pessoas precisam saber que os leilões são públicos. Não é preciso convite nem para participar dos lances nem para visitar a exposição. Todos têm acesso a obras de arte", afirma Dutra.

Para Santos, é ao participar de leilões despretensiosamente que se formam novos colecionadores. "As pessoas acabam encontrando algo que sempre quiseram ou procuravam. Sempre tem algum item que vale a pena."

Como em uma venda comum, o leilão tem suas regras: pode-se exigir o pagamento de 30% do valor da peça na hora, o lote arrematado deve ser pago em 72 horas e, se isso for feito em cheque, a mercadoria pode ser liberada apenas após a compensação.

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