Beatriz Monteiro/AE
Beatriz Monteiro/AE

Peças achadas com Dom Pedro I vão virar exposição

Material foi recolhido quando restos mortais dele e de suas mulheres foram exumados para pesquisa, divulgada ontem pelo 'Estado'

Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 02h05

Atualizada às 8h21

SÃO PAULO - Medalhas, botões e fragmentos de vestes recolhidos dos caixões de Dom Pedro I, Dona Leopoldina e Dona Amélia, que agora fazem parte do acervo do Departamento de Patrimônio Histórico da capital, devem ser expostos ao público em breve. Os objetos são parte do estudo revelado com exclusividade nessa terça-feira, 19, pelo Estado.

A Secretaria Municipal de Cultura afirmou que há intenção de expor as peças em vitrines blindadas dentro do próprio Monumento à Independência, onde estão sepultados o imperador e suas duas mulheres, no Ipiranga, zona sul da capital. Ainda não há data prevista para a exposição.

O material foi recolhido no ano passado, quando os restos mortais dos três personagens foram exumados para estudo, por iniciativa da historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel. O Estado acompanhou a pesquisa, com exclusividade, nos últimos 3 anos - e divulgou anteontem no estadão.com.br e, ontem, na edição impressa.

Itens. Uma vez removidos os tampões de granito de 400 quilos que cobriam os caixões de Dom Pedro I e de Dona Leopoldina, e aberto o nicho de parede de Dona Amélia, os pesquisadores fizeram uma lista minuciosa do que havia dentro de cada urna. Encontraram medalhas e insígnias de ordens de Portugal, joias de surpreendente baixa qualidade e até cartões de visita deixados por gente que acompanhou os traslados até o Ipiranga.

Sabe-se agora que a roupa militar com que Dom Pedro I foi enterrado - túnica provavelmente marrom e calça branca - tinha, ao todo, 54 botões, a maioria de metal, com brasão da coroa portuguesa em alto relevo. Ele usava botas, que se decompuseram quase completamente por causa da umidade: restaram dois saltos de couro e duas esporas de metal. Havia também botões feitos de osso, usados na época principalmente em cuecas.

O fato de que não havia nenhuma comenda de ordens brasileiras entre as insígnias com que o imperador foi enterrado surpreendeu. "Esperava pelo menos a Ordem da Rosa, criada pelo próprio Dom Pedro I aqui no Brasil, para homenagear Dona Amélia. Foi uma pequena decepção", diz Valdirene.

Entre as comendas está o Tosão de Ouro, ordem de cavalaria fundada no século 15 e concedida só a soberanos e seus filhos. Há também duas comendas da Ordem da Torre e da Espada - em uma delas, consta a reprodução da constituição portuguesa, uma reformulação proposta pelo próprio imperador em referência a mudanças que fez na Carta Magna de Portugal em 1832 e que foi concedida a ele pouco antes de morrer. A placa, agora restaurada, estava em seis pedaços. Havia ainda uma comenda criada pela avó de Dom Pedro, chamada Banda das Três Ordens, e duas reproduções da coroa de Portugal, como parte dos galões de ombro do imperador.

Todo o material era feito de metal não nobre - ou latão, ou cobre -, exceto o par de abotoaduras de punho, forjada em ouro. Em meio ao material histórico, houve espaço para curiosidades mais recentes: dentro do caixão do imperador foram colocados 24 cartões de visita, de militares, dentistas, diplomatas, brasileiros e portugueses. "Foram colocados no traslado dos restos do imperador ao Brasil, em 1972. É gente que gostaria de ser 'lembrada', mas não vamos divulgar os nomes", diz a pesquisadora.

Vídeo. A pesquisa será transformada em documentário. Cerca de 800 horas de imagens foram produzidas pelo cinegrafista Valter Muniz, que está em fase de captação de patrocínios.

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