PCC troca dívidas por execução de policiais e dá prazo de 1 dia para pagar

Três crimes desvendados nas últimas 24 horas mostram como a facção criminosa tem organizado atentados contra os agentes públicos

Artur Rodrigues e Marcelo Godoy, de O Estado de S.Paulo,

15 Novembro 2012 | 22h45

 Três crimes desvendados em 24 horas mostram que criminosos da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) estabeleceram prazos para que as ordens de assassinar policiais sejam cumpridas em São Paulo. As investigações confirmam a suspeita de que bandidos em dívida com a facção são obrigados a pagar o que devem por meio da execução de policiais civis e militares ou de agentes prisionais.

 

As confissões dos assassinos do PCC foram gravadas em vídeo pela polícia - um deles foi feito pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o outro pelo Delegacia de Juquitiba, na Grande São Paulo. As confissões corroboram as conversas telefônicas interceptadas pela polícia nas quais líderes da facção deram a ordem de matar a seus subordinados - o Deic tem em seu poder os áudios sobre as mortes dos PMs Flávio Adriano do Carmo e Renato Ferreira da Silva Santos.

 

Um das confissões gravadas é a de Jefferson Luis de Miranda, de 32 anos (veja abaixo). Acusado de roubos e de um latrocínio, Miranda foi preso na quinta-feira, 15, em Peruíbe, no litoral paulista, onde se escondia. O acusado apontou como mandante o “sintonia-geral de Carapicuíba”, o chefe da facção na região. Afirmou que, para quitar sua dívida de R$ 10 mil com o grupo, devia matar um policial militar.

 

Diante disso, Miranda pediu ajuda a um amigo. Segundo o delegado Josimar Ferreira de Oliveira, esse amigo é Valmir Fernandes, de 28 anos. Fernandes indicou o investigador João Antônio Pires, e a facção permitiu que, em vez de um militar, ele matasse um policial civil. Apanharam a vítima quando ela saía de um mercado em 5 de outubro.

 

O investigador carregava duas sacolas. Os bandidos chegaram em uma moto. Miranda estava na garupa e atirou. Câmeras filmaram o policial tentando fugir - ele correu para o mercado e foi perseguido. O criminoso acertou 16 vezes o investigador - os últimos disparos foram com a vítima imóvel e indefesa, caída no chão. Fernandes foi preso no dia 8 e negou a acusação. Ele e Miranda são candidatos a uma cela em um presídio federal, como os demais presos por matar policiais.

 

‘Foi o Comando’. Como ele, também deve ser mandado para a penitenciária federal de Rondônia o empresário Leandro Rafael Pereira da Silva, o Leo Gordo, de 28 anos. Dono de uma empresa de transporte coletivo, foi ele quem deu a ordem para matar os PMs Carmo e Santos, de acordo com a investigação do Deic. Ao ser indagado de quem havia recebido a ordem para matar os policiais, respondeu aos homens do Deic: “Foi o Comando”.

 

Leo Gordo não disse quem do comando do PCC deu a ordem. Só contou que ela veio por escrito. Leo era o responsável pela “quebrada” do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. Ele devia “cobrar a rua” para que as ordens fossem cumpridas. A ele deram dez dias para que matasse dez policiais. Matou dois. Depois, deram-lhe mais 24 horas para fazer o que faltava. Falhou.

 

Foi preso quarta-feira, 14, com o empresário Wellington Alves, dono de uma fábrica de molduras. Além das mortes, serão acusados de lavagem de dinheiro e tráfico - o Deic pedirá o sequestro de seus bens. Além de Leo Gordo, Alves e Miranda, outros dois acusados de atentados a PMs foram presos e um suspeito morto na quinta.

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