PCC surgiu e cresceu na cela

O Primeiro Comando da Capital (PCC) surgiu em Taubaté, no interior paulista, no temido Anexo da Casa de Custódia, no dia 31 de agosto de 1993. Nesse dia, Cesar Augusto Roris, o Cesinha, um dos fundadores da facção, matou dois desafetos durante um jogo no pátio: os presos Severo Amâncio Barbosa, o Baiano Severo, e Wilson Garcia de Camargo. Cesinha usou uma lâmina de barbear para cortar os pescoços dos inimigos. Outros presos ajudaram a segurar as vítimas. Foi a primeira ação do grupo, que, além de Cesinha, teve outros sete fundadores.

O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2012 | 02h05

Na sequência, o PCC cresceu, assim como a massa carcerária. Vinte anos após o massacre do Carandiru, São Paulo ainda não conseguiu resolver o impasse da política penitenciária e de segurança. Em 1988, havia no Estado 65 presos por 100 mil habitantes, total que foi multiplicado por oito em pouco mais de duas décadas, chegando a 418 por 100 mil em 2010. Nos últimos dez meses, o total de 180 mil presos chegou a 195 mil - 1,9 preso por vaga.

O rápido crescimento da população prisional e as más condições estimularam lideranças do crime a encontrar formas de ordenar o convívio nos presídios. É por isso que o PCC ganhou legitimidade e poder no universo criminal - justamente quando a população carcerária crescia exponencialmente.

A permanência desse modelo rende agora um impasse, uma vez que as polícias prendem cada vez mais. E hoje, considerando os familiares dos detentos, pelo menos 1 milhão de pessoas já vive em função da rotina dos presídios.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.