PCC quer monopolizar venda de drogas, diz Ministério Público

De acordo com o Ministério Público, facção quer dominar o tráfico em todo estado, como ocorre nas cadeias

Simone Menocchi, Agência Estado

25 de julho de 2008 | 17h46

O Primeiro Comando da Capital, facção criminosa que atua no Estado de São Paulo, quer monopolizar a venda de drogas em todo território estadual, como ocorre com o comércio de entorpecentes nas cadeias paulistas. A conclusão é do Ministério Público, que por meio do Gaerco (Grupo de Atuação Especial a Repressão ao Crime) investigou, nos últimos cinco meses, a forma como o PCC tem movimentado milhões de reais no Estado com a venda de drogas e a venda de rifas. A venda de drogas nas cadeias sustenta a organização criminosa, que no Vale do Paraíba, por exemplo, movimenta cerca de R$800 mil por mês, tendo um lucro mensal de R$40 mil.   Veja também:Advogadas acusadas de ajudar facção criminosas são presas   Realizada desde fevereiro, as investigações começaram com escutas telefônicas que tinham como alvo o detento Orlando Mota Júnior, conhecido por Macarrão, preso em Presidente Venceslau. Foram ouvidas horas de telefonemas onde Macarrão dava ordens para traficantes e advogados. De acordo com o MP ele é considerado a liderança estadual do PCC - ficando somente abaixo do detento Marcola - que atua em duas vertentes: o controle da droga vendida no Estado, nas chamadas biqueiras - pontos de droga espalhados pelo municípios que são controlados pelo PCC - e a atuação dos advogados, num esquema chamado de "sintonia das gravatas". Cada advogado do PCC ganha salário fixo de R$3 mil a R$7 mil e as coordenadoras, presas ontem (25) ganham cerca de R$10 mil. Todos atendem os presos ligados à facção sem cobrar honorários.   Duas advogadas das cidades de Taubaté e Tremembé, no Vale do Paraíba, devem ser denunciadas pelo Ministério Público à Justiça por envolvimento com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo investigações do Ministério Público, por meio dos promotores que formam o Gaerco (Grupo de Atuação Especial de Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) elas fazem parte de um grupo de 17 advogados que atuam em defesa dos criminosos que trabalham para o PCC. Ontem, durante a operação Primadona, seis pessoas foram presas, entre elas, as advogadas Alessandra Moller e Patrícia Galindo de Godoy, que eram coordenadoras do trabalho dos advogados. Também foram presos em São José dos Campos ligadas a Macarrão: Maria Jucinéia da Silva, mulher dele, Maria Inês da Silva, cunhada de Macarrão e Janilson de Andrade Fernandes, genro de Maria Inês, que era gerente de uma biqueira em São José dos Campos.

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