PCC planejava seqüestro de parentes de agentes, diz polícia

Planos foram descobertos após a interceptação de uma mensagem de líderes da facção contra o governo

Marcelo Godoy e Chico Siqueira, O Estado de S. Paulo

08 de fevereiro de 2008 | 09h05

Para a inteligência da polícia de São Paulo, criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital preparavam o seqüestro de parentes de funcionários de presídios do interior do Estado, para obrigá-los a libertar lideranças da facção criminosa. Os planos só foram descobertos após a interceptação de uma mensagem de líderes da facção com ameaças ao governo do Estado.   A Secretaria da Administração Penitenciária conseguiu prender quatro pessoas, apreendeu forte armamento e transferiu o detento que divulgou o "salve" - como são chamadas as mensagens transmitidas pelos presos. No salve, os detentos davam um prazo de até o dia 15 para as autoridades abrandarem as regras de encarceramento das Penitenciárias 1 e 2 (P1 e P2) de Presidente Venceslau e da Penitenciária 1 (P1) de Avaré. Caso não fosse atendida, a facção ameaçava começar nova greve branca, na qual os presos não aceitariam mais comparecer a audiências na Justiça.   A inteligência da secretaria detectou que o "salve", ação da facção mais preocupante ocorrida até agora na gestão de José Serra (PSDB), saíra da P2 de Venceslau, onde estavam os principais líderes da facção, para a Penitenciária de Lavínia. Em Lavínia, o traficante Valdeci Alves dos Santos, o Colorido, retransmitiu as ordens para as outras prisões. Colorido foi removido para a P2 de Venceslau.   Simultaneamente ao ultimato, foi descoberto que a facção preparava uma série de resgates de presos. Para tanto, planejava o seqüestro de funcionários do sistema prisional.   No dia 1º de fevereiro, policiais militares apreenderam 3 fuzis - 1 deles com mira telescópica -, 14 capuzes, 9 telefones celulares, 1 filmadora, 3 coletes à prova de bala, roupas pretas iguais às da Polícia Civil, 1 rolo de fita adesiva, lacres de plástico e 1 microcâmera com dois casais que haviam alugado duas casas em condomínios de luxo em Presidente Prudente e Presidente Epitácio - cidades próximas de Presidente Venceslau. Dois outros acusados de participar da quadrilha foram presos no dia seguinte.     A facção também dá prazo até o dia 15 para a SAP se explicar e retirar os detentos que estão há mais de um ano nessas unidades. No salve, o PCC enumera oito itens de denúncias e de pedidos - como melhoria nas condições de visita íntima e o aumento do número de horas de banho de sol - e compara o suposto regime ilegal com o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que permite o isolamento pelo prazo de um ano.   Agentes dizem que a carta - distribuída aos detentos entre os dias 13 e 20 de janeiro - é uma forma de o PCC acabar com o isolamento de seus líderes. Foi por conta do regime de confinamento de 645 líderes do PCC na P2 de Venceslau que a facção realizou os ataques de maio de 2006. Diretores de presídios recomendaram aos agentes que tomem medidas de prevenção para evitar fugas e rebeliões nos dias 16 e 17.

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