PCC fatura R$ 2 milhões por mês com tráfico em presídios

Comércio ilegal dentro de presídios é mais seguro que tráfico nas ruas, sujeito a constantes apreensões

Josmar Jozino - Jornal da Tarde,

22 de novembro de 2008 | 16h52

As mais seguras e rentáveis biqueiras (pontos-de-venda de drogas) do Primeiro Comando da Capital (PCC) funcionam nas penitenciárias paulistas e não nas ruas, onde as blitze policiais são constantes e os prejuízos, quase diários. Documentos da contabilidade da facção criminosa apreendidos pelo Ministério Público Estadual (MPE) comprovam o lucro da organização. O grupo fatura no mínimo R$ 2 milhões com o tráfico dentro dos presídios.     Segundo as documentações do MPE, apreendidas em 2006 e 2008 com traficantes apontados como integrantes da facção criminosa, o PCC detém o monopólio da venda de entorpecentes, principalmente cocaína, dentro do sistema prisional paulista. Os registros do ano retrasado revelam que a facção distribuiu, mensalmente, pelo menos 130 quilos da droga em 36 das 144 unidades prisionais do Estado. Já a Polícia Civil estima que o PCC passou a comercializar 200 quilos de cocaína por mês nos presídios paulistas, a partir de 2003, quando o tráfico se tornou o principal "negócio" da organização. Conforme cálculos do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc), 1 quilo da droga custa R$ 10 mil no varejo.     Outra documentação apreendida este ano com integrantes do PCC em presídios paulistas aponta uma margem de lucro ainda maior: R$ 2,2 milhões/mês. De acordo com a contabilidade da facção, em apenas um dia, 7 de julho, o grupo movimentou R$ 73.642,00 com o tráfico de drogas em 15 presídios do interior, a maioria no oeste do Estado e na região de Campinas.     O promotor de Justiça José Reinaldo Carneiro, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), vai além: diz que não dá para calcular a movimentação de drogas dentro das cadeias. "É impossível fazer o cálculo, tanto da arrecadação com o tráfico quanto da comercialização de drogas." De acordo com o MPE, a facção utiliza telefones celulares para controlar o monopólio do tráfico diretamente de seus "escritórios" instalados nas prisões paulistas (mais informações nesta página).     NAS RUAS As estatísticas da Polícia Militar comprovam que o monopólio do tráfico sofre mais prejuízo nas ruas do que nos presídios de São Paulo. De janeiro a setembro deste ano, a PM apreendeu, em todo o Estado, 19,2 toneladas de entorpecentes, a maior parte com integrantes do PCC.     A Secretaria de Administração Penitenciária deixou de informar os números de apreensões de drogas e de celulares em janeiro de 2007. No entanto, a média mensal de apreensão de entorpecentes nas unidades prisionais, no segundo semestre de 2006, foi de 3.558 porções. Se for levado em consideração que cada porção pesa aproximadamente 10 gramas, as blitze apreenderam 35,6 quilos de drogas por mês em 143 presídios. Esses 35,6 quilos representam só 17,8% dos 200 quilos comercializados pelo PCC nas prisões a cada 30 dias, de acordo com as estimativas feitas pela Polícia Civil paulista.

Tudo o que sabemos sobre:
PCCTráfico

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.