'PCC é responsável por boa parte dos homicídios'

Para titular da pasta, é preciso privilegiar o setor de inteligência e a Rota não poderá mais ter o protagonismo de antes

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 02h03

O que é o Primeiro Comando da Capital (PCC) para o senhor?

É uma facção criminosa. Não é a única. Mas o PCC é a facção que tem atuação mais importante no atual contexto de violência, como responsável por boa parte dos homicídios.

O ex-secretário Antonio Ferreira Pinto dizia que o PCC se resumia a 30 líderes presos em Presidente Venceslau. O senhor concorda? Não tenho números exatos. Ele deve ter falado com base em dados concretos. Mas é difícil dimensionar, saber quantas lideranças são, quantos estão dentro e fora da prisão.

Após 20 anos, ainda não conhecemos o PCC? Conhecemos em parte. Com a ajuda de outros setores da inteligência, poderemos ter um conhecimento maior.

A Rota continuará protagonista no combate à facção? A Rota vai cumprir o papel que lhe cabe. Não farei distinção. Todos têm responsabilidades. Não vamos privilegiar um segmento e a Rota não terá papel prioritário. Será acionada sempre que necessário.

Devemos, contra o crime organizado, ter um sistema de cárcere duro, como na Itália? Acredito que sim, um sistema mais rígido que impeça a comunicação com o mundo externo. Não adianta levar o preso a um presídio federal se houver possibilidade de comunicação.

Policial civil com inquérito de improbidade vai ocupar cargo de chefia na polícia? Acho incompatível. Estamos analisando nomes, mas me parece incompatível com cargo de direção.

A Corregedoria da Polícia Civil continuará no gabinete? Sim, não há motivo para alteração. Queremos é manter a Corregedoria com a mesma filosofia.

A Corregedoria da PM vem para o gabinete do senhor? Não há motivos. O que importa não é o lugar, mas que funcione bem.

O senhor foi bastante crítico em relação à operação na cracolândia. Vai mudar a política na região? Como procurador-geral, por questão de princípio, defendi a independência funcional dos promotores que criticaram a operação. O promotor deve formar sua convicção e ser respeitado. Para aperfeiçoarmos a operação, antes de qualquer coisa, ouviremos a sociedade civil, que pode ser importante nesse processo.

O senhor já foi assaltado?

Não, mas pessoas da família já.

Como foram tratadas pela polícia? (Risos) O atendimento foi normal, dentro do que podia ser feito. Cabe a nós melhorarmos esse serviço. / B.P.M. E M.G.

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