PCC cresce nas brechas do sistema

Existe uma parte de São Paulo que vive nas sombras, onde o Estado não chega. Aqueles que se relacionam nesse mundo lucram com o crime. Quando se envolvem em conflitos, não há como pedir socorro à polícia. Durante anos, os impasses nesse meio foram resolvidos a balas, provocando em São Paulo taxas de homicídio semelhantes às do Iraque em guerra.

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2013 | 02h00

O PCC começou a ganhar legitimidade justamente quando passou a se vender como a "Justiça" desse mundo das sombras, fato que ocorreu depois da popularização dos celulares, nos anos 2000. Isso facilitou o diálogo do lado de dentro com o de fora das prisões.

As lideranças das cadeias são respeitadas porque, em São Paulo, a carreira no crime costuma a reservar longas temporadas nas prisões. Ninguém quer cumprir pena com inimigos babando no cangote. "Correr pelo certo" e "respeitar o proceder" se tornaram uma forma de evitar inimizades entre aqueles que querem sobreviver roubando. Dessa maneira, a capacidade do PCC para mediar no crime aumentou. A facção cresceu nas brechas criadas pelo sistema.

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