Paulistas trocam carro por avião e voos regionais crescem 41% no Estado

1,5 milhão de pessoas circularam em 2010 por aeroportos de seis grandes cidades do interior; concorrência fez preço de passagens cair

Bruno Tavares e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2011 | 00h00

R$ 9. Voar de Ribeirão Preto para a capital paulista ficou mais barato do que um café com pão de queijo no Aeroporto de Congonhas, na zona sul. O aumento de voos dentro do Estado e as promoções das companhias aéreas fizeram com que 1,5 milhão de passageiros circulassem nos seis principais aeroportos do interior de São Paulo no ano passado, um número 41% maior que o registrado em 2009.

A concorrência fez o preço dos bilhetes despencar. E, não raras vezes, a viagem regional por ar ficou mais em conta em percursos de mais de 300 quilômetros que de carro e ônibus - o que já ocorre na Europa e nos Estados Unidos desde a década de 1990. O morador de Presidente Prudente, no extremo oeste paulista, por exemplo, pode vir à capital por R$ 99,40. O avião completa os 556 km entre as duas cidades em uma hora. No ônibus leito, que leva oito horas na estrada, com pelo menos duas paradas, a viagem sai por R$ 103. De carro, sem contar a gasolina, só o pedágio soma R$ 64,55.

O representante de vendas paulistano Carlos Vela, de 63 anos, abandonou uma rotina de quatro décadas pelas rodovias paulistas. "Entre acordar, ir para Congonhas e sentar com minha equipe em Ribeirão levo duas horas e meia. Consegui ampliar meus clientes no interior. Tenho até tempo para jogar tênis no hotel", conta Vela. "E o máximo que eu paguei foram R$ 49,99 por trecho."

O epicentro do boom aéreo no interior é justamente Ribeirão Preto, um próspero centro regional no centro do Estado. Do acanhado aeroporto da cidade partem 12 voos diários para a capital. A maioria das passagens é vendida com um mês de antecedência. Dali também é possível encontrar bilhetes a R$ 9 para três outras capitais do País: Curitiba, Rio e Salvador.

Foi por esse preço que o casal de professores Renato Esteves, de 27 anos, e Fernanda Pivetta, de 29, conheceram a Praia de Copacabana, no Rio, em dezembro. Os dois gostaram da experiência e conseguiram comprar pelo mesmo valor dois bilhetes para conhecer a capital paranaense. "De carro ou ônibus você sempre planeja a viagem e depois desiste com receio do cansaço da estrada", afirma Esteves.

Turistas do interior também já podem pegar voos para Europa, Estados Unidos ou capitais do Nordeste sem ter de enfrentar antes até oito horas de estrada. "Quando ia de ônibus para Cumbica, gastava R$ 80 só com o táxi da Rodoviária do Tietê ao aeroporto. Já é quase o preço da passagem (R$ 109) de avião", diz Marco Antonio Ferranti, de 56 anos, empresário de Bauru que faz pelo menos quatro viagens internacionais por ano. "Antes tinha de pegar sete horas de estrada antes de voos com duas conexões de até 17 horas. Chegava para reuniões já esgotado."

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