Paulistas de áreas menos desenvolvidas vivem até 13 anos menos

Paulistas de áreas menos desenvolvidas vivem até 13 anos menos

Região Metropolitana de SP tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, mas disparidades ainda persistem

Lígia Formenti e Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2014 | 10h00

Atualizada às 22h55

BRASÍLIA - Apesar de a região metropolitana de São Paulo ser a mais desenvolvida do País, a desigualdade ainda é muito presente. O Atlas Brasil, divulgado nesta terça-feira, 25, mostra que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é 0,794, mas os paulistas de áreas menos desenvolvidas vivem até 13 anos menos do que os de áreas mais nobres.

Um morador da área próxima do Jockey Club e do Estádio do Morumbi, na zona sul da capital, vive, em média, 82,4 anos. Nas regiões com pior desempenho, como Jardim São Jorge, a expectativa de vida é de 69 anos.

As disparidades também são encontradas em outras áreas. O IDHM de Educação encontrado na Vila Funchal, Jardim Paulistano e Vila Madalena é quase duas vezes maior do que o apresentado em Paraisópolis, por exemplo. Enquanto no grupo mais privilegiado a nota (0,948) é suficiente para classificação como desenvolvimento humano muito alto, moradores de Paraisópolis apresentam um indicador (0,516) de desenvolvimento baixo.

De acordo com levantamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fundação João Pinheiro, os melhores indicadores do Brasil estão em cinco regiões de São Paulo que têm IDHM de 0,965, todas em áreas da Subprefeitura de Pinheiros.

Uma está localizada na região do Itaim-Bibi, próximo da Estação Berrini, na zona sul. As demais ficam na zona oeste: Vila Cordeiro, Jardim Paulistano e duas na Vila Madalena. 

A renda nesses bairros é responsável pelo melhor desempenho (1), seguido da educação (0,948) e longevidade (0,947). De todas as áreas analisadas na região metropolitana de São Paulo, 74% são classificados com desenvolvimento muito alto ou alto. Os 26% restantes reúnem indicadores suficientes para alcançar a classificação de médio desenvolvimento.

A trajetória mostra uma melhora significativa quando comparada com dados de 2000. Na avaliação anterior, 37% das áreas (chamadas de UDHs) foram classificadas como de desenvolvimento alto e muito alto. Outros 33% eram de desenvolvimento médio, 29%, baixo, e 0,3% muito baixo.

Grande São Paulo. As desigualdades em São Paulo tiveram uma redução durante a década. Em 2000, em termos absolutos, a diferença entre os maiores e menores IDHMs da região era de 0,453 ponto. Dados mais recentes, de 2010, indicam que a diferença caiu para 0,340. A diminuição da desigualdade também pode ser conferida na Grande São Paulo. O intervalo do IDHM passou de entre 0,508 e 0,909 para entre 0,633 e 0,952. 

Atualmente, nenhuma região está classificada nas faixas de IDHM baixo ou muito baixo. No ano 2000, esses números eram de 29% e 0,3%, respectivamente.

Além disso, 34% das cidades da Grande São Paulo se encontram na faixa de muito alto desenvolvimento humano e 40% na de alto desenvolvimento, ante 12% e 25% dez anos antes. 


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