Paulistanos trocam capital por ''nova'' região: ABCDOG

Formada por municípios do ABCD, além de Osasco e Guarulhos, ela desbancou SP em vendas nos cinco primeiros meses deste ano

Rodrigo Brancatelli e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2010 | 00h00

"Venha morar no melhor condomínio-clube de São Paulo, com 60 mil m², infraestrutura completa de transporte e lazer." O anúncio, em um folheto de uma grande construtora, peca por não informar um detalhe: o tal empreendimento não fica em São Paulo, mas em Osasco, a 30 quilômetros da Praça da Sé. É apenas um exemplo de um fenômeno que está mudando a dinâmica de toda a Região Metropolitana e causando discussões entre urbanistas, empresários e vereadores: São Paulo está se mudando para os seus vizinhos.

Por causa da falta de terrenos e entraves na legislação municipal, a capital vê uma tendência inédita. Até o ano passado, São Paulo sempre concentrou a maioria dos lançamentos imobiliários - na pior das hipóteses, a capital registrava 70%, 60% das vendas, enquanto a Região Metropolitana registrava, no máximo, 40%. Nos cinco primeiros meses do ano, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi), a balança se inverteu pela primeira vez na história. Cerca de 53% das vendas de lançamentos estão na Região Metropolitana - principalmente Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Osasco e Guarulhos, área conhecida agora pelas suas iniciais: ABCDOG.

Barato. São Paulo atualmente responde por menos da metade, com 47%. No mercado do ABCDOG, 30% dos compradores são paulistanos que resolvem migrar para essas cidades. Os imóveis chegam a custar até 30% menos que na capital - um apartamento novo de dois dormitórios em São Paulo vale em média R$ 220 mil, enquanto em Santo André o preço cai para R$ 150 mil. Ainda assim, o mercado vem ganhando muito dinheiro na Região Metropolitana, porque as leis são mais permissivas em relação a tamanho dos apartamentos e altura dos prédios.

Para urbanistas, no entanto, a tendência só piora os deslocamentos - no ABCDOG a oferta de empregos, a infraestrutura de transporte público e as opções de lazer são muito menores do que na capital. Isso causa ainda mais congestionamentos e aumenta a poluição. Já as empresas de mercado imobiliário utilizam esses dados para pressionar os vereadores da capital a revisar o Plano Diretor e afrouxar as atuais restrições de construção.

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