Paulistanos aderem ao estilo ''cycle chic''

Nada de tênis especiais e roupas de ginástica. Esse tipo de 'biker' anda por aí em duas rodas 'montado' com salto e vestido ou jeans e camiseta

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

De salto alto, vestido e maquiagem, a designer Joana Rocha, de 33 anos, pedala sem perder a pose ao longo de uma subida de três quilômetros da Rua da Consolação até chegar a seu escritório, na Avenida Paulista. Nem o tempo nem sempre amigável das manhãs paulistanas, o trânsito e as cantadas dos apressados motoristas parecem intimidá-la.

Joana é uma das paulistanas que abraçaram por aqui o movimento europeu "cycle chic", que defende que, se é para pedalar, é preciso ter classe. Nada de ficar escravo de roupas de ginástica. Mas, sim, manter o estilo sobre as duas rodas e vestir a mesma roupa que usaria para ir ao trabalho, shopping ou balada. "É uma forma de mostrar que a bicicleta é um meio de transporte, não só uma ferramenta de exercício", diz Joana.

A moda na bike aproveitou uma visão existente em algumas cidades da Europa e dos Estados Unidos. Em Amsterdã, Milão e Nova York, o fato de as pessoas se vestirem bem, aliado à preocupação com temas ambientais e urbanísticos, colaborou para uma visão charmosa da bicicleta. Ter carro e usá-lo para ir diariamente ao trabalho é considerado fora de moda. E foi em Copenhague, na Dinamarca, onde o movimento "cycle chic" foi oficializado.

Nesses locais, as baixas temperaturas facilitam pedalar bem vestido. Esse foi um dos fatores que ajudaram a disseminação do "cycle chic" em Curitiba, além da atenção dada pela cidade a temas ambientais e de transporte.

São Paulo. Para a jornalista Verônica Mambrini, de 26 anos, o calor, porém, não deve ser uma desculpa em uma cidade como São Paulo. Precursora do movimento na capital, ela criou o site Gata de Rodas e afirma que roupas leves, ruas sombreadas e um ritmo moderado ajudam a pedalar com estilo e sem ficar ensopado. São Paulo se encaixa perfeitamente no conceito "cycle chic", segundo a jornalista, porque respira dois de seus motivadores básicos: moda e poluição.

"O cycle chic alivia o pulmão e a paisagem", afirma Verônica. Para ela, a popularização do automóvel "relegou a bicicleta ao status de esporte, com indumentária própria. O mundo está redescobrindo a bicicleta como parte da solução para o caos urbanístico". Verônica vai até para a balada com a bicicleta. Procura um valet para guardá-la - às vezes, também deixa a bike na rua, guardada por uma tranca reforçada.

Companheiras de pedaladas, Joana e Verônica são o exemplo de que não é preciso vestir um tipo de roupa específico para ser "cycle chic". A primeira diz considerar-se mais "modernete". Já Verônica gosta de roupas mais "retrô". Peças típicas dos anos 1950 e 1960 fazem parte de seu guarda-roupa. Sua grande paixão são os vestidos.

Não é preciso ser tão extravagante. Um dos representantes do público masculino no movimento em São Paulo, o publicitário Carlos Aranha, de 29 anos, costuma andar de bicicleta com jeans e camiseta.

Ele afirma que pedala diariamente sete quilômetros entre sua casa, em Pinheiros, na zona oeste, e o trabalho, no Itaim-Bibi, na zona sul. Quando preciso, vai até de camisa social, mas não caiu no lugar-comum de boa parte dos paulistanos: usar o automóvel.

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