Paulistano vai decidir se quer calçadões

‘Laboratórios’ nos Largos de São Francisco e do Paiçandu vão definir mudança em vias da capital

Bruno Ribeiro e Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2014 | 03h00

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo iniciou na sexta-feira uma série de intervenções para incentivar paulistanos a ocupar as áreas da região central que permanecem vazias nos fins de semana. Batizado de Centro Aberto e feito com consultoria do escritório dinamarquês Gehl Architects, o projeto quer ser o embrião para a transformação de pontos como o Largo do Paiçandu, a Avenida São João, o Pátio do Colégio, a Rua 25 de Março e o Largo de São Francisco em calçadões abertos a pedestres, ciclistas e ônibus e fechados para os carros durante sábados e domingos.

Os Largos do Paiçandu e de São Francisco receberam cadeiras de praia, banheiros públicos, bicicletários, atrações musicais, karaokê, aparelhos de ginástica, Wi-Fi e, nos fins de semana, feirinhas gastronômicas, entre outras atividades para tentar trazer a população para as regiões. 

Nos próximos dois meses, os frequentadores desses espaços vão poder fazer propostas para a Prefeitura, apontando como queriam que fossem os locais. ‘É um convite para que o cidadão se aproprie da região central da cidade”, informa o site sobre o Centro Aberto, colocado no ar na segunda-feira.


O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, explicou que o projeto é um “laboratório” para decidir quais serão os critérios finais para a revitalização do centro - proposta tratada como prioritária pela gestão Fernando Haddad (PT).

“Em vez de a gente fazer audiência, decidir por fazer e não dar certo, a gente quer um processo de mais de uma etapa. Primeiro um diálogo, que foi feito com agentes locais, Associação Comercial, coletivos, para entender o que poderia ser feito para requalificar o centro, e depois fizemos esse piloto”, afirmou Franco.

“Não é uma coisa de renovar o piso desses espaços. É mudar as formas de uso. Estamos criando programas para testar, ver a aderência da população, e monitorando como esses espaços estão sendo apropriados. No fim do processo, vamos sentar com todos novamente para decidir qual será o projeto final”, explicou o secretário. 

Anhangabaú. O Vale do Anhangabaú deve ser o local que receberá mais intervenções, que devem começar a ser instaladas nas próximas semanas. O modelo que orienta a ação é a intervenção feita na região da Times Square, em Nova York. A cidade fechou o acesso para veículos no entorno do ponto, com melhorias para pedestres e o comércio.

“Tem muita gente envolvida nesse processo. Comerciantes e moradores com ideias diferentes. Na Rua 25 de Março, por exemplo, os lojistas já se manifestaram contrários ao fechamento das vias (do entorno)”, afirmou o secretário. 

O escritório Gehl Architects, que assina o projeto, é responsável pelas ciclovias de Copenhague. Por ora, o projeto é financiado pelo Banco Itaú - só a ação final será custeada pela Prefeitura. “Ainda há outros projetos-piloto. No Anhangabaú, será mais complexo”, disse Franco, que lembrou que, em Nova York, as estruturas temporárias acabaram ficando permanentes nas ruas. 

Opções. O urbanista Benedito Lima de Toledo disse que a escolha que será feita pelo paulistano deve virar uma marca. “Será a opção por mais espaços de circulação ou mais espaços de convivência.” Já o vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Antonio Carlos Pella, afirmou que o centro precisa de espaços de convivência. “Nossa cidade tem de se humanizar mais. E o centro precisa ser resgatado.”

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