José Patrício/AE
José Patrício/AE

Paulistano fica refém de tiros e de bombas em ato por redução da tarifa

Centenas de pessoas que voltavam para casa no horário de pico ficaram presas entre policiais e manifestantes na Rua da Consolação; novas marchas já estão marcadas para esta sexta-feira e para a segunda

O Estado de S. Paulo

14 Junho 2013 | 00h04

SÃO PAULO - O quarto ato em uma semana contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo, nesta quinta-feira, 13, teve, mais uma vez, confronto entre manifestantes e a polícia. Bombas de gás lacrimogêneo atingiram moradores, pedestres e passageiros de ônibus na Consolação, no centro da capital. Cerca de 130 pessoas foram detidas e 105 ficaram feridas, de acordo com o Movimento Passe Livre (MPL), que vem organizando a série de passeatas. Até as 23h, quando a manifestação havia sido controlada, não havia um balanço oficial.

Enquanto grupos ainda enfrentavam a polícia na Avenida Paulista, o MPL já convocava um novo ato para a segunda-feira, 17, às 17h, no Largo da Batata. No Facebook, um evento criado por três pessoas também convida para uma outra manifestação nesta sexta-feira, 14, no mesmo horário, em frente ao prédio da Rede Globo, no Itaim Bibi, zona sul.

Os conflitos desta quinta-feira, 13, foram o desfecho de um dia tumultuado na cidade, onde uma greve em três da seis linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) já havia afetado ao menos 1 milhão de pessoas. A ação da polícia colocou em risco pessoas que passavam na hora do rush e deixou diversos jornalistas feridos - entre eles, uma profissional da Folha de S. Paulo, atingida com uma bala de borracha no olho.

Como as ruas da região da Consolação não foram bloqueadas, motoristas ficaram ilhados no meio das nuvens de gás. Na Consolação, a batalha principal foi das 19h10 às 19h35. De um lado, a Tropa de Choque jogava bombas e disparava balas de borracha. Do outro, manifestantes respondiam com pedras e fogos de artifício. No meio do fogo cruzado, pessoas que tentavam voltar para casa. Toda a Consolação no sentido centro estava parada, repleta de carros, ônibus. Algumas bombas de gás caíram perto do câmpus da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na Rua Marquês de Paranaguá. A Universidade Mackenzie, também na Consolação, suspendeu suas aulas.

A Consolação foi liberada às 20h, mas os protestos continuaram. Às 20h30, barricadas haviam sido erguidas por manifestantes na Augusta, que seguiram por ruas do bairro até a Avenida Paulista. Na frente do Conjunto Nacional, os jovens e a PM entraram em confronto mais uma vez. Os manifestantes foram se dispersando no decorrer da noite e, até as 23h, quando a situação foi controlada, pequenos grupos ainda tentavam ocupar a Avenida Paulista.

Negociação. O embate entre a PM e uma parte dos manifestantes começou quando a Tropa de Choque jogou uma bomba de efeito moral na aglomeração que saía da Praça Roosevelt para a Rua da Consolação. O combinado com a PM era ir até a Praça Roosevelt, onde chegaram pouco depois das 19h. O MPL tentou mudar o trajeto e surgiu o impasse que culminou nos conflitos que seguiriam noite afora. A ideia dos organizadores era subir a Rua da Consolação, pegar a Avenida Brasil e seguir até o Ibirapuera. Até então, o clima da marcha de quase 10 mil pessoas era pacífico, desde a saída do Teatro Municipal, por volta das 18h20. Os manifestantes gritavam cantos contra violência.

Nessa hora, o tenente-coronel da PM Ben-Hur Junqueira Neto estava na esquina com a Rua Doutor Cesário Mota Júnior em um bloqueio formado por motos, esperando para falar com lideranças do movimento. Manifestantes avançaram e cruzaram o bloqueio e a Tropa de Choque entrou em ação.

Quando os manifestantes furaram o bloqueio, o major Lidio Costa Junior, do Comando de Policiamento de Trânsito da PM, avisou: "Não nos responsabilizamos mais pelo que vai acontecer".

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