Paulistano está dirigindo mais alcoolizado, diz balanço da PM

Dados das blitze da lei seca mostram que nº de motoristas presos por embriaguez já supera total do ano passado

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2011 | 03h03

Dados da Polícia Militar mostram que, apesar do número crescente de acidentes fatais de trânsito envolvendo motoristas alcoolizados, o paulistano está bebendo mais antes de dirigir. O número de motoristas bêbados flagrados pelas blitze da PM entre janeiro e setembro deste ano já é 38% maior do que a soma de todo o ano de 2010.

No ano passado, entre janeiro e dezembro, a PM afirma ter feito 158 mil testes de bafômetro na cidade e prendido 842 motoristas flagrados cometendo crime de trânsito (quando o nível de álcool no sangue superou 6 decigramas). Ou seja: para cada mil testes feitos, cinco motoristas foram presos.

Já neste ano, levando em conta apenas os meses entre janeiro e setembro, foram 138 mil testes, com 1.166 motoristas acima dos níveis máximos tolerados. Traduzindo: oito bêbados para cada mil testes feitos.

Por outro lado, está em queda o número de motoristas que bebem moderadamente (mas ainda assim acima do tolerado pela lei seca) e dirigem. O total de flagrantes de infrações de trânsito (quando o nível de álcool é menor do que 6 decigramas) está em queda. No ano passado, foram 27 autuações para cada mil testes. Em 2011, até agora, são 23 ocorrências em cada mil.

Justificativa. Especialistas em segurança do trânsito são receosos ao afirmar que as pessoas estão bebendo mais. Para eles, a Polícia Militar está focando suas ações em locais onde as chances de encontrar bêbados é maior. Mas a PM diz que tem atuado com as mesmas técnicas que utiliza desde 2008, quando a lei seca entrou em vigor.

"Ela deve ter mapeado os locais com mais ocorrências e focado suas ações por lá. Com isso, há mais chances de flagrar motoristas bêbados. E os números ficam indicando crescimento dos casos", diz o coronel reformado da PM e consultor de segurança José Vicente da Silva.

Já o médico Mauro Augusto Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Medicina do Trânsito (Abramet), diz que os policiais podem estar fazendo abordagens direcionadas - quando o PM opta por fazer o teste em motoristas que já apresentam sinais de embriaguez. "Eles (os PMs) podem fazer dois tipos de abordagem. A direcionada ou a aleatória, quando vão parando um carro a cada quatro ou cinco que passam pelo bloqueio. A direcionada tem mais chances de flagrar quem bebeu além da conta. Mas a aleatória é mais eficiente no sentido da educação do trânsito. Se você bebeu e vai passar pelo bloqueio e o policial para o carro da sua frente, você vai ver que quase foi pego e vai pensar um pouco mais antes de beber e dirigir", explica.

In loco. A reportagem acompanhou uma blitz ocorrida na noite da última quinta-feira na zona oeste da cidade. E notou que nenhuma das explicações justifica, solitariamente, o crescimento dos números.

O capitão Paulo Oliveira, do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), diz que a PM não fez mudanças. Nem nos locais onde são feitas as blitze nem na forma de parar os veículos. "Nós não sabemos por que estão sendo feitos mais flagrantes. Mas eles estão crescendo, sim." Em média, no ano passado, eram 13 mil testes feitos por mês. Neste ano, a média está em 15 mil.

Em junho deste ano, reportagem publicada pelo Estado mostrou que as blitze haviam sumido das ruas da capital paulista. Ao percorrer 20 vias dos bairros mais boêmios, nenhuma blitz foi avistada. Na época, a PM negou a redução da fiscalização, mas prometeu intensificar as ações. Na última semana, outra promessa: as blitze vão durar, agora, até as 6 horas (anteriormente, eram encerradas por volta das 4 horas).

Nas últimas três semanas, motoristas de São Paulo provocaram ao menos 16 acidentes graves após as 4 horas e apresentavam sinais de embriaguez. Oito dessas batidas aconteceram durante o feriado, entre os dias 12 e 13. Segundo o capitão Sérgio Marques, porta-voz da Polícia Militar, por enquanto as blitze até as 6 horas serão feitas somente às sextas e aos sábados. Mas a corporação estuda a possibilidade de as ações acontecerem também às quintas-feiras.

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