FELIPE RAU / ESTADÃO
FELIPE RAU / ESTADÃO

Paulistano aproveita último dia de carnaval para relaxar e curtir final do feriado

Chuva que caiu no meio da tarde contribuiu para o clima de "ressaca"; muitos foliões já fazem planos para abril, quando serão realizados os desfiles das escola de samba

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2022 | 16h55

A terça-feira de carnaval, também conhecida como terça-feira gorda, deixou muita gente saudosa da folia que não viveu. Promessas de dias mais animados em abril (quando serão realizados os desfiles das escola de samba) ou de um ainda longínquo fevereiro de 2023 também estiveram na pauta de quem ama um agito carnavalesco. No fim das contas, o remédio foi relaxar e aproveitar o finalzinho do feriado. 

No Parque Augusta, na região central da cidade, a chuva que caiu no meio da tarde de ontem formou o cenário ideal para um carnaval “mais ou menos”. As amigas Daniele Lima, 29 anos, e Poliana Capilari, 27 anos, ainda buscavam na internet algum sinal de festa ou bloquinho para curtir. “Eu queria estar aproveitando o último dia de carnaval. Mas o jeito é relaxar tomando uma cerveja ao ar livre”, disse Daniele. “Com a chuva que está chegando, o jeito é se conformar e descansar esse restinho de feriado. Carnaval só no ano que vem”, comentou Poliana. 

A estranheza de uma terça gorda sem folia não impediu que o dia fosse proveitoso. Esse foi o caso da publicitária Janaina Casanovas, 29 anos. “Deu para fazer outras coisas, passear com o pet, trazer as crianças para o parque, visitar a família”, enumerou. 

Quem estava fora da cidade e voltou para a capital nesta terça-feira sentiu ainda mais a falta do oba-oba carnavalesco. “Vim do litoral. Vi as ruas vazias, nenhum aperto no metrô e quase ninguém fantasiado. Para um último dia de carnaval, foi muito esquisito. Talvez em abril o cenário seja outro” , contou a designer Shirley Monteiro, 34 anos. 

Nem a chuva cortou a onda carnavalesca de um grupo que optou por um piquenique no Parque Augusta. A psicóloga Bruna Nubile, 28 anos, e seus amigos não arredaram os pés do gramado. “Não foi aquele carnaval intenso, mas serviu para descansar. Já é muito bom estar aqui”, disse. Henrique Assaf, 30 anos, que trabalha com recursos humanos, contou que ainda deu para aproveitar algumas festinhas. “Mas nada parecido com outros carnavais”.

O professor de dança Romeu Assumpção, 31 anos, disse que “esse foi o carnaval de cada pessoa, um carnaval que cada um teve que descobrir um jeito único de se divertir”. "Com o parque mais vazio, por exemplo, posso dançar de um jeito mais livre”, comentou.

Teve também quem preferisse politizar a falta de um carnaval de rua. “Os clubes fechados. As festas caras aconteceram. Isso de não ter carnaval para o povo foi o maior absurdo”, reclamou o especialista em marketing Daniel Pérez, 35 anos. “Em um dia de bloquinho você gasta R$ 30. Nestas festas, você gasta R$ 200”,  completou . O carnaval de rua foi proibido por conta da pandemia da covid-19. As festas particulares também tiveram restrições para realização. 

Quem também não gostou nada do feriado sem carnaval foi o ambulante Luiz Rogério, 42 anos. “Eu vi meus ganhos despencarem em 90%. Carnaval é sempre bom pra quem trabalha na rua. Esse ano foi um desastre”, disse.

Desastre para uns, alegria para outros. O zelador Fernando Souza, 52 anos, é do tipo que não gosta de carnaval. “É uma época que eu trabalho dobrado. Sem carnaval, pude trazer meus netinhos para brincar no parque. A cidade está em paz”, comentou. No mesmo tom, a esteticista Janaína Rocha, 30 anos, afirmou que todo ano deveria ser assim: um carnaval sem carnaval. “Só vale pelo feriado.”

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