Paulista vai virar galeria eletrônica a partir de hoje

Shows com luz, som e projeção de imagens estarão espalhados por 12 pontos da avenida

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

Masp. Cubo espelhado de três metros é uma das intervenções artísticas

 

A partir de hoje e ao longo do mês de agosto, a Avenida Paulista será palco de uma série de eventos, digamos, "experimentais". De perseguição de Tom e Jerry pelas fachadas dos prédios da via - num "grafite eletrônico móvel" - a um cubo espelhado de três metros no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a via receberá 12 obras interativas - e gratuitas - do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File), evento que chega à 11.ª edição na capital e que, pela primeira vez, será apresentado também na rua.

Além de tirar as obras das galerias, o festival deve aproximar o paulistano de sua mais famosa via. Uma das atrações é o Omnibusonia Paulista, ônibus que tocará sinfonias diferentes de acordo com o local em que estiver - ao passar na frente da Casa das Rosas, será apresentado poema musicado de Haroldo de Campos; no Parque Trianon, "pulmão da avenida", uma moda de viola, a lembrar que ainda é possível ter tranquilidade no local. São 22 músicas, que criarão uma "paisagem sonora" da Paulista.

"Levar o festival à rua é abri-lo a outro tipo de público, que não vai às galerias e não conhece essa vertente da arte eletrônica", diz a artista plástica Paula Perissinotto, uma das organizadoras do festival. "Por um mês, haverá esse diálogo entre o espaço público e a arte, com pedestres "experimentando" sensações que não esperariam na avenida."

Na montagem dos equipamentos, ontem, as obras já chamavam a atenção: a que mais intrigava era o Infinito ao Cubo - cubo de metal e vidro suspenso por molas, espelhado por dentro, que leva seus "passageiros" a sentirem como se estivessem flutuando. "Cubo de espelhos que balança? Da hora!", exclamou a estudante Vanessa Pereira, de 13 anos, antes de sacar o celular e bater uma foto. "Atravessei a avenida só para ver o que era."

Reações de surpresa e curiosidade, aliás, devem se tornar comuns na Paulista até 29 de agosto, último dia do File - festival que, além dos pontos na avenida, terá exposição fixa no Centro Cultural da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

À noite, por exemplo, dois "grafites eletrônicos" vão iluminar a avenida - além da perseguição projetada de Tom e Jerry pela fachada dos prédios, haverá um estilingue digital que permitirá aos passantes catapultarem mensagens de texto nos edifícios. "Costuma ter fila nesse tipo de atração. Mas a maioria vai até as 20 horas, dá tempo para sair do trabalho e brincar um pouco", disse Paula.

Em quatro estações da Linha 2 - Verde (Consolação, Trianon-Masp, Brigadeiro e Paraíso) estão montados jogos eletrônicos, pendurados em tapumes, com temas atuais - como embates entre natureza e cidade -, para jogar com capacete sonoro e joystick. No Conjunto Nacional, foi montada uma esteira de aço de 20 metros de comprimento por onde corre uma onda metálica, dos artistas Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, os mesmos do cubo do Masp. Nos testes, foi possível ter uma ideia da interação. Logo que o equipamento foi acionado, o menino Riquelme Kalem, de 4 anos, se jogou na esteira, esperando os 20 segundos em que a onda percorreria seu corpo. No fim, perguntou ao irmão: "Vamos voltar depois?"

 

 

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