Paulista terá policiais treinados para lidar com diversidade

Grupo de 80 agentes da mesma companhia teve palestras sobre o perfil de quem mora e frequenta a avenida

BÁRBARA FERREIRA SANTOS, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2013 | 02h03

Um grupo especial de 80 policiais vai cuidar da segurança da Avenida Paulista e de seu 1,5 milhão de frequentadores diários. Eles foram treinados especificamente para lidar com a diversidade cultural, de opção sexual e com os grandes eventos e manifestações da via mais famosa de São Paulo. Na semana que vem, esses policiais participarão de um ensaio de operação na própria avenida e devem iniciar as atividades até o fim deste mês.

"Queremos dar um efetivo exclusivo para atender a essa diversidade e dinâmica característica da Paulista", afirmou o coronel Leonardo Torres Ribeiro, chefe do Comando de Policiamento da Capital. "Em grandes eventos ou manifestações, vamos deslocar um efetivo maior e ajustar as operações de acordo com a demanda."

Os policiais terminaram o treinamento ontem e receberam palestras de convidados da Associação Paulista Viva para entender o perfil de quem trabalha e mora na região.

O grupo foi montado a partir de uma mudança na organização do policiamento na avenida. Os PMs que trabalham na avenida vão responder a apenas uma companhia - hoje, eles fazem parte de quatro companhias separadas.

Outra mudança territorial também será adotada. Todos os crimes que ocorrerem nos 2.800 metros de extensão da Paulista serão registrados em uma única delegacia: o 78.º Distrito Policial, que fica na Rua Estados Unidos, nos Jardins. Atualmente, quem precisa fazer um boletim de ocorrência na Paulista tem de procurar um dos quatro DPs que atendem o entorno, dependendo do trecho em que o crime ocorreu.

Segundo a Polícia Militar, o objetivo da mudança é facilitar o atendimento do cidadão que for vítima de crime na Paulista e melhorar a investigação e o policiamento. Hoje, há pouca troca de informações entre os investigadores ou policiais que atuam em cada trecho da avenida.

"Vamos acertar o começo das operações, mas no papel já houve a reorganização territorial", afirmou o comandante de policiamento do centro, coronel Reynaldo Simões Rossi. Além da centralização de operações, a corporação vai colocar mais duas bases móveis na Avenida Paulista - já existem duas atualmente. Além disso, o patrulhamento com motos, bicicletas e viaturas deverá aumentar.

O efetivo da 1.ª Companhia do 7.º Batalhão, a única que atuará na região, será aumentado de 140 para 201 policiais. Todos eles cuidarão da área delimitada pela Rua da Consolação até a Avenida Bernardino de Campos (na altura da Rua Tomás Carvalhal) e pela Avenida Brasil até a Rua São Carlos do Pinhal.

Diálogo. O presidente da Paulista Viva, Antonio Carlos Franchini Ribeiro, acredita que a interlocução entre polícia e comunidade vai melhorar. "É uma conquista ter um efetivo definido para a região. As relações entre a sociedade local e o policiamento vão ficar mais próximas. Os policiais vão conhecer as pessoas e as pessoas vão conhecer os policiais."

Para o Grupo Paulista Segura, que reúne gestores de segurança do entorno da avenida, a mudança vai permitir uma melhor compilação de estatísticas e a troca de informações estratégicas. "Há oito anos, fazemos reuniões mensais com a presença da polícia. Agora, a administração da segurança e o reconhecimento do ambiente vão ficar mais fáceis", afirmou o coordenador do grupo, Claudio Nascimento Moreira.

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