Paulista se blinda contra morador de rua

Prédios da avenida instalam paredes de vidro em calçadas para isolar fachadas, marquises e jardins

Camilla Haddad e Cristiane Bomfim, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2010 | 00h00

A migração de moradores de rua do centro para a região da Avenida Paulista tem feito com que empresas e prédios residenciais adotem medidas para evitar que suas marquises e fachadas sejam ocupadas. Ao percorrer o maior centro financeiro da cidade, a reportagem constatou que condomínios se "blindam" com paredes de vidros em seus jardins. Seguranças de bancos e galerias protegem os clientes de abordagens.

"Temos visto cada vez mais a mendicância tomando conta da cidade. De uns dois anos para cá, a coisa está piorando e agora chegou ao limite na região", diz a presidente da Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César, Célia Marcondes. A Secretaria Municipal de Assistência Social (Smads) reconhece o problema. Em nota, confirmou que a região é um atrativo para os moradores de rua, por concentrar renda e serviços, e que, por lei, eles não podem ser levados para albergues contra a vontade.

No Edifício Nações Unidas, uma parede encobre o imenso painel de azulejo da fachada. O síndico, Luiz Alberto da Silva, nega que a obra, concluída em novembro de 2009, seja antimendigo. "Além da boa visão, impede que alguém pule para "se amoitar". Acaba ajudando, mas não é para morador de rua."

O vigilante de um prédio comercial na altura do número 1.079, também cercado por vidro, disse que a preocupação é com a segurança. Uma loja de roupas recém-inaugurada, perto do 1.100, adotou esse recurso para fechar o jardim, que era acessível a quem caminhava pela via. Um segurança alegou que era por causa de uma reforma.

Expulsos. Uma das explicações dadas por moradores de rua é a falta de albergues. A outra seria o fato de estarem sendo expulsos do centro pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). Para eles, a Paulista é segura, por ter muito movimento, e atrativa, pela facilidade em conseguir esmolas.

"Tivemos de sair porque os GCMs estavam batendo, jogando água. Meu colega levou até bomba", disse uma moradora de rua que se identificou como Tereza, de 50 anos, e estava com o marido e o filho na frente do Conjunto Nacional. Antonio Maria, de 60 anos, diz que sempre morou na Praça da República, no centro, mas a situação ficou complicada depois da ação da GCM. "Um dia, falaram que iam fazer a "limpa" e não podia mais ficar lá." Teve de ir para a Paulista.

RUAS DORMITÓRIOS

Avenida Paulista (em toda a extensão)

Rua Oscar Freire com Alameda Ministro Rocha Azevedo

Rua Oscar Freire, esquina com a Rua Augusta

Rua Augusta, esquina com a Rua Fernando de Albuquerque

Alameda Santos

Rua Frei Caneca

Passagem subterrânea da Avenida Doutor Arnaldo

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