Gabriel Toueg/AE
Gabriel Toueg/AE

Paulista recebe a 'marcha das vagabundas'

Principal objetivo da marcha é 'combater a violência contra a mulher'; movimento começou a ser organizado há cerca de três semanas pelo Facebook

Fabiana Marchezi e Marici Capitelli,

04 de junho de 2011 | 15h00

Ao menos 200 pessoas participam desde às 14 horas deste sábado, 4, na Avenida Paulista, em São Paulo, da Slut Walk - ou 'marcha das vagabundas', em tradução livre. No movimento, inspirado por um protesto no Canadá, em abril, mulheres lutam contra a violência e pelo direito de vestir o tipo de roupa que gostam, mesmo as mais sensuais, sem serem acusadas de provocar o estupro ou outras formas de violência sexual.

 

Os manifestantes carregam cartazes com os dizeres: 'A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer'; 'Mulher não foi feita pra levar tapinha, na cara no braço, nem na bundinha'. Pouco antes do início da marcha, um pequeno grupo tentou atrapalhar o movimento com um 'barangômetro', que foi quebrado por uma manifestante. Segundo a Polícia Militar, até as 15 horas, o protesto era tranquilo.

 

"É importante deixar claro que não é uma marcha para prostitutas ou executivas, mas é para todas as mulheres", afirma uma das idealizadoras do protesto, a escritora Solange De-Ré, de 30 anos. Segundo ela, a marcha não é apenas para que as mulheres tenham o direito de vestir o que querem.

 

"Vai muito além. Estamos discutindo a violência que ocorre no País contra as mulheres. O Brasil ainda é machista." Essa violência, de acordo com Solange - que adora roupas sensuais -, vai desde a cantada de mau gosto por causa da vestimenta até estupro, espancamento e assassinato.

 

A marcha começou a ser organizada há cerca de três semanas pelo Facebook. Quase seis mil pessoas confirmaram presença. "Tanta repercussão deixa claro que é um assunto que interessa às pessoas", diz a publicitária Madô Lopes, de 28 anos, que ao ler sobre a manifestação canadense começou a discutir com Solange e um amigo em comum, para fazer o evento em São Paulo. Ao contrário de Solange, ela não usa roupas provocativas, mas tem um estilo próprio de se vestir, usando coturnos , leggings e lenços na cabeça. "As pessoas já olham muito."

 

O protesto conquistou movimentos feministas. Tica Moreno, do SOF (sempreviva organização feminista) e militante da Marcha Mundial das Mulheres, garante que ativistas do grupo estarão lá. "É importante porque dá visibilidade ao problema da violência contra as mulheres."

 

Geisy Arruda, que em outubro de 2009 foi humilhada e expulsa da Universidade Bandeirante porque usava um vestido curto, apoia a manifestação. "As mulheres têm que ousar, têm que vestir o que gostam. As mulheres têm esse direito." Ela diz que só não irá ao evento porque estará comemorando seu aniversário de 22 anos. A marcha acontece neste sábado também em Chicago, Los Angeles, Amsterdã e Edimburgo.

 

Segundo dados Secretaria da Segurança Pública, no primeiro trimestre deste ano foram 2.699 ocorrências no Estado. O número é maior que o do mesmo período do ano passado, com 2.323 mulheres violentadas.

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