Paulista muda com prédio alto e retrofit

Paulista muda com prédio alto e retrofit

Após 39 anos, Torre Matarazzo, ainda em construção, atinge 125 metros; outros nove edifícios da via passam por reformas

CAIO DO VALLE E EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2014 | 03h00

SÃO PAULO - A Avenida Paulista está mudando de cara. Além de ao menos nove de seus prédios passarem por projetos de repaginação da fachada, a via acaba de quebrar um recorde: um novo edifício que está em construção já ultrapassou a altura dos mais antigos. Fazia 39 anos que a marca não era superada - desde que o Paulista I, um arranha-céu cinzento ao lado da sede da Fiesp, abriu as portas.

Dezessete metros mais alta, a Torre Matarazzo, que fica na esquina com a Rua Pamplona, tem 125 metros, patamar já alcançado pela construção, que deve terminar no primeiro semestre do ano que vem. As metragens não levam em consideração a presença de antenas no topo das edificações - que ampliam a altura de outros prédios, como o da Fundação Cásper Líbero.

"O curioso é que houve várias versões para o projeto. Em algumas, ele chegou a ser planejado para ser mais alto ainda", revela o arquiteto Roberto Aflalo Filho, que coordenou o projeto desenvolvido pelo escritório Aflalo & Gasperini. A Torre Matarazzo - assim batizada em homenagem à família que manteve, no século 20, uma mansão no mesmo terreno - ficará sobre o Shopping Cidade São Paulo, também anunciado para 2015.

O edifício terá 13 pavimentos, todos voltados para escritórios comerciais, onde devem circular cerca de 3 mil pessoas por dia. Os andares inferiores, correspondentes aos pisos do centro comercial, de pé-direito maior, não são oficialmente contabilizados.

Paisagem. O urbanista e professor da Universidade de São Paulo (USP) José Eduardo de Assis Lefèvre explica que arranha-céus podem estabelecer uma relação com a paisagem da cidade, quando se destacam, tornando-se pontos de referência para os habitantes. Ele exemplifica com o Martinelli, o Banespão, o Edifício Itália e o Mirante do Vale, todos erguidos em pontos da região central onde se sobressaem dos demais. "Mas, no caso da Paulista, há uma certa homogeneidade de altura e 17 metros de diferença não é muita coisa. E, quando você anda pela rua, não percebe muito, não tem muita noção da altura. O efeito da verticalização, a partir de uma altura, fica tudo igual", diz o especialista.

O prédio, que está parcialmente coberto com vidros espelhados, divide a opinião do público. Para o analista de tecnologia de informação Caio Vianna, de 19 anos, a edificação é interessante, assim como o prédio da Fiesp, no quarteirão vizinho. "Trabalho na frente, vai ser legal quando abrir." Já a supervisora Silmaria de Lima da Silva, de 32 anos, acha que o casarão que existia no terreno poderia ter sido preservado.

Repaginada. O Estado apurou que pelo menos nove prédios da via de 2,7 km passam por algum tipo de reforma. Houve um "boom" imobiliário nos anos 1980 e duas décadas praticamente sem novidades - exceções são o Condomínio CYK, inaugurado em 2003, e a Torre João Salem, de 2009.

Três dos projetos em andamento, aliás, saíram do mesmo escritório de arquitetura da Torre Matarazzo. "Agora, com a cidade mais consolidada, e com questões como mobilidade cada vez mais prementes, a Paulista, no epicentro de uma área movimentada e de uso misto, passa por renovação. Os retrofits fazem sentido, assim. A Paulista hoje resume o ideal de uma região de alta densidade", afirma Aflalo.

Outro edifício comercial do mesmo grupo é o Paulista Corporate. "Houve uma preocupação com uma arquitetura sóbria, para não conflitar com o Masp, que é o grande elemento ali", diz o arquiteto Luiz Felipe Aflalo Herman. No Paulista 867, que deve ficar pronto até o fim do ano, a preocupação foi com o térreo. "Será semiaberto, parte funcionará como recepção do prédio, e parte como café, oferecendo um ambiente agradável ao frequentador."

Reforma. Já o Sesc da Paulista passa por uma grande reforma desde 2011. O edifício, do último terço do século passado, está sendo adaptado "às novas tecnologias e às atuais exigências de sustentabilidade", segundo Gianfranco Vannucchi, diretor-presidente da Konigsberger Vannucchi Arquitetos Associados. A intervenção está prevista para acabar em 2016. O pavimento térreo terá um espaço multimídia e será recuado do alinhamento da avenida, ampliando a largura da calçada.

Do escritório Andrade Morettin Arquitetos, está em construção também a sede paulistana do Instituto Moreira Salles (IMS), que guarda, desde 1992, um rico acervo de fotografia, artes plásticas, música e literatura. O espaço, entre as Ruas Bela Cintra e Consolação, terá três andares para exposições, um cinema, um restaurante e um café. A sede do Instituto Moreira Salles deve ter escada rolante de 15 metros de altura. Outro prédio em construção na avenida é o Paulista Tower, sob responsabilidade da Even. Com previsão de entrega em abril, o edifício prevê 120 salas comerciais, de 36 m² a 594 m². 

Estacionamento. Com 1,5 mil vagas para automóveis, o complexo do futuro Shopping Cidade São Paulo deve atrair ainda mais veículos para uma já região saturada.

Para diminuir o impacto no trânsito, a Secretaria Municipal dos Transportes, ainda na administração Gilberto Kassab (PSD), exigiu o alargamento de trechos das Ruas Pamplona e São Carlos do Pinhal, ampliando a capacidade de fluidez dos automóveis. A certidão de diretrizes também prevê instalação de sinalização e melhora da rede de semáforos da região.

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