Alex Silva/AE
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Paulista gasta mais com animais de estimação

A cada R$ 3 gastos com pets, R$ 1 é no Estado de SP; pesquisa do Ibope também calcula que mercado movimente R$ 5,9 bilhões/ano

CAMILA BRUNELLI E JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2012 | 03h05

São Paulo é o Estado onde mais se gasta com animais domésticos. R$ 1 em cada R$ 3 gastos no País com pets é desembolsado por paulistas. É o que mostra pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o estudo, só neste ano os brasileiros deverão gastar R$ 5,92 bilhões com bichos de estimação e 32% desse montante será movimentado no Estado.

Para a diretora de Atendimento e Planejamento de Geonegócios do Ibope Inteligência, Márcia Sola, a grande participação de São Paulo já era esperada. "É o maior em população, em PIB e em potencial de consumo."

Na pesquisa, apenas o consumo domiciliar foi considerado. Foram analisadas compras de animal doméstico, vacinas, banhos e tosas, além de gastos com veterinário, ração, xampus, brinquedos, roupas e acessórios. Boa parte desses produtos já está por todo canto nas grandes redes de pet shop da capital. Um sinal, para a diretora do Ibope, da qualificação da estrutura de varejo. "É um fenômeno semelhante ao que ocorreu com supermercados e lojas de construção", explica.

Até mesmo o mercado estético tem crescido, com a oferta de serviços cada vez mais curiosos. Uma megaloja no Limão, na zona norte, já oferece aplicação de unhas de vinil para animais (entre R$ 70 e R$ 99), banhos tonalizantes e escovas de chocolate ao leite ou branco (entre R$ 25 e R$ 45), dependendo da preferência do dono do bicho.

Mesmo quem vai atrás só de ração para cães e gatos não se contém. "Gosto de ficar passeando, vendo as coisas, mas só compro a comida", disse a dona de casa Angélica Barbosa, de 65 anos, na loja do Limão. Vinte minutos depois, no entanto, ela estava com o carrinho cheio de brinquedos. "Não me aguentei", revelou, sorrindo.

Classe C. Segundo o Ibope, o consumo desses produtos por habitante será neste ano de R$ 36,31 em média, 13% mais que em 2011. O gasto per capita anual específico do paulista é de R$ 47,46, ante os R$ 46,76 do ano passado.

A pesquisa mostra ainda que 49,86% de quase R$ 1,9 bilhão que circula no Estado são gastos pela classe B, ou seja, famílias com renda média de R$ 4.500. Para Márcia, a participação da classe C - com renda familiar entre R$ 1 mil e R$ 2.500 - foi uma das principais surpresas do estudo. "Há um consumo realmente significativo dessa camada", diz. "É uma família que a gente não espera que gaste com esse tipo de produto, até considerado supérfluo."

Quando o animal ainda é filhote, as despesas se multiplicam, por causa das vacinas, idas ao veterinário e tentativas de adaptação a diferentes tipos de ração. A empresária Joana Maciel, de 50 anos, e seu filho, Vinícius, de 20, contam que o poodle Zack chegou a tomar uma vacina a cada 15 dias. "Cada uma custava R$ 100. Sabíamos dos gastos, mas queremos cuidar bem", diz Joana. "Tentamos dar o melhor."

Veterinários. O que mais pesa no bolso dos donos de animais, porém, são as despesas quando os bichos adoecem. Entre internações, operações e tratamentos no Hospital Sena Madureira, na Vila Mariana, zona sul, o analista de suporte Rafael de Paiva diz já ter gasto mais de R$ 7 mil com seu golden retriever. "Mas você gasta o que precisar para ter o melhor serviço."

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