'Paulista 2021': especialistas falam sobre protestos, urbanismo e o futuro da avenida

Primeiro dia do fórum organizado pela Associação Paulista Viva discutiu problemas, potencialidades e alternativas de um dos mais importantes símbolos de São Paulo

O Estado de S. Paulo

26 Novembro 2013 | 13h13

Representantes dos poderes públicos de diversos setores apresentam alternativas para melhorar o dia a dia de quem trabalha, vive na área ou apenas visita a região

Na primeira rodada de palestras do Fórum "Pensar Avenida Paulista 2021", realizada nesta terça-feira, 26, e transmitida ao vivo pela TV Estadão, os palestrantes falaram da história, do valor cultural, econômico e das preocupações urbanísticas relacionadas a uma das vias mais importantes de São Paulo. As recorrentes manifestações e o conflito entre liberdade de expressão e liberdade de ir e vir também foram tema central das exposições.

As apresentações de representantes dos poderes públicos e de diversos setores da sociedade projetam a paulista de 2021, ano do aniversário de 130 anos da avenida, de 25 anos da APV e de 30 anos Rotary Clube Avenida Paulista.

Nesta quarta, a segurança, o trânsito e a diversidade cultural e sexual da Paulista estarão entre as questões abordadas. O comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, e o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, estarão entre os palestrantes.

O Fórum é uma realização da APV, da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) e Rotary Clube Avenida Paulista. Diversas entidades como o SPCVB (São Paulo Convention and Visitors Bureau), ABIH (Associação Brasileira de Hotéis), Instituto dos Arquitetos do Brasil, Polícia Militar do Estado de São Paulo, Ministério Público e Frente Parlamentar foram mobilizadas em torno do evento.

O Fórum Pensar Paulista ocorre nesta terça-feira, 26, e quarta-feira, 27, no Auditório do Instituto Cervantes, na Avenida Paulista, 2.439. A entrada grátis. O evento é apresentado pelo jornalista Bruno Paes Manso.

Veja um resumo das ideias de cada convidado desta terça:

- Benedito Lima de Toledo: arquiteto e urbanista especializado em História e preservação do patrimônio. Professor titular da universidade de São Paulo. Defendeu o conceito de "patrimônio ambiental urbano", falando da formação do espaço geográfico da avenida desde a sua criação, em 1891. Criticou a "permissividade da Prefeitura" na ocupação e "abuso" do solo, na região, em suas palavras.

- Sérgio Mamberti: ator, diretor, produtor e ex-secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura. Falou sobre o valor afetivo da avenida, sua importância cultural e sua posição de referência no imaginário do paulistano. Defendeu que o poder público intervenha em relação à ocupação do entorno do Masp por usuários de drogas e moradores de rua.

- Bruno Omori: presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo (Abih-SP) e Coordenador da Câmara Temática da Copa de 2014 no Conselho Estadual do Turismo de São Paulo. Falou das potencialidades da Paulista para hospedar turistas na Copa e nas Olimpíadas. Apresentou números e os prejuízos causados pelas manifestações. Segundo ele, as interdições e atos de vandalismo derrubaram a taxa de ocupação nos hotéis da Paulista de 70% para 30%.

- José Armênio de Brito Cruz: presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil em São Paulo (IABsp). Um dos idealizadores da reforma no calçamento, em 2009, mencionou dois desafios da avenida: a melhoria da infraestrutura, com a instalação de uma galeria subterrânea organizada de serviços; e a qualificação dos espaços de convivência, como o vão livre do Masp. Ele se disse contra a colocação de uma grade para preservar o entorno do museu. "O território é um espaço de conflito", defendeu.

- Alessandra de Moraes: educadora ambiental do Inova, consórcio responsável pela varrição e limpeza urbana da região noroeste da cidade. Falou sobre as tecnologias aplicadas na limpeza urbana e sobre a conscientização dos moradores. "Cidade limpa não é a que mais se limpa, mas a que menos se suja", defendeu.

- Martim de Almeida Sampaio: advogado e diretor da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP. Defendeu manifestações mais organizadas e que não interfiram no trânsito da região,bem como a punição de quem pratica atos de vandalismo, como os Black Blocs. Propôs que o Estado crie leis estabelecendo regras mais claras para os protestos, facilitando o trabalho da PM. "Creio que este espaço público vital não pode ser interrompido a cada dia da semana, sob pena de termos um custo social elevado, que é o trânsito parado", mencionou, citando a existência de diversos hospitais na região.

Mais conteúdo sobre:
avenida paulistafórumprotestos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.