Paul ressuscita a Beatlemania no Recife

'Povo arretado', disse o ex-beatle para delírio das 50 mil pessoas que encheram ontem o Estádio do Arruda

JOTABÊ MEDEIROS, RECIFE, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2012 | 03h01

Com a clássica Magical Mystery Tour, Sir Paul McCartney abriu ontem mais uma turnê pelo País, em uma apresentação para quase 50 mil pessoas no Recife. É a terceira vinda do ex-beatle em seguida, em três anos. Mudam algumas músicas, alguns vídeos no telão, algumas gracinhas na interação com o público, mas a emoção e a devoção do público é sempre a mesma - arrebatadora.

Paul subiu ao palco às 21h36 e foi saudado pelo público recifense. Antes da terceira música, All My Loving, ele tirou o paletó e arriscou algumas palavras em português, quase sem sotaque.

"Oi, Recife, boa noite, pernambucanos", disse ele. "Esta noite eu vou tentar falar um pouquinho de português, mas vou falar mais inglês." Um pouco mais tarde, antes de tocar Paperback Writer, completou: "Povo arretado." Foi a senha para que o estádio quase viesse abaixo. Paul sabe o presente que dá a cada público. "Essa é a primeira vez que vou tocar essa música no Brasil", anunciou, antes de cantar The Night Before, do disco Help!, de 1965, composta por Paul e creditada a Lennon e McCartney.

O show teve problemas de organização. A cerveja acabou antes mesmo de o concerto começar. As filas de milhares de pessoas que se formaram antes do início do show, fora do estádio, eram um martírio para os fãs, que enfrentaram privações de toda ordem. Hoje, o ex-beatle volta a se apresentar na capital pernambucana, e em 25 de abril o baixista toca em Florianópolis, no Estádio da Ressacada.

Reverência. Desde que Paul McCartney chegou ao Recife, às 2h da madrugada de ontem, a rotina da cidade mudou completamente. Vigílias de até 30 horas de fãs entusiasmados e curiosos exaltados, tanto na porta do Estádio do Arruda quanto na do hotel na Praia de Boa Viagem onde o Beatle se hospedou, faziam parecer que o Recife era a Swinging London de 1966.

Na porta do hotel, até quem veio ao Recife para ver Chico Buarque e Los Hermanos, ambos na agenda de shows do fim de semana, mudou de foco por algumas horas para esperar a saída de Paul em direção ao Arrudão (onde muita gente dormiu da noite de sexta-feira para o sábado na fila). Mais de 30 policiais e batedores montaram um esquema de segurança na porta do hotel, mas até os policiais checavam a todo momento seus celulares para deixar no modo fotografia na hora certa.

Malucos belezas da Praia de Boa Viagem, em sua euforia alcoólica, juntaram-se a socialites locais, crianças curiosas e fãs de carteirinha dos Beatles na calçada. De vendedores de algodão doce a bebuns que gritavam "Paul McCarter!", a avenida se encheu de gente. Ao chegar ao hotel, o ator Edson Celulari pensou que tinha se tornado mais célebre do que é na verdade, centenas gritavam o nome dele.

Paul McCartney só saiu por volta das 17h e não se fez de rogado, deu a mão para fãs, sorriu, mandou beijos e desfilou com a porta do carro aberta, ao lado da mulher, Nancy Shevell. Toda a ação não durou mais do que um minuto e meio, mas foi o suficiente para ensandecer a vizinhança. O agente de Paul filmou a multidão com uma câmera. "Véio, eu toquei na mão do Paul McCartney, você tá entendendo?", gritava o rapaz ao celular.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.