Patrimônio histórico, Pacaembu tem fachada protegida por lei

Estádio passou por várias reformas, perdeu concha acústica, ganhou tobogã e teve capacidade reduzida

Martín Fernandez, Jornal da Tarde

27 Março 2009 | 11h08

No dia 24 de maio de 1942, 72 mil torcedores presenciaram a estreia de Leônidas da Silva no São Paulo. Em 11 de março de 2009, 67 anos depois, Ronaldo fez sua primeira partida diante de 30 mil corintianos. Os jogos têm algo em comum, além da presença dos dois craques: foram realizados no Paulo Machado de Carvalho.

 

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Desde que foi inaugurado (em 27 de abril de 1940) até hoje, o Pacaembu passou por várias reformas, perdeu a concha acústica, ganhou o tobogã e teve a capacidade de público reduzida para a metade.

 

Sua fachada imponente e estrutura, porém, continuam lá, firmes e sólidas. É uma das construções do bairro que não mudaram, como sugerem as fotos ao lado. O Pacaembu resiste ao tempo.

 

Hoje, o estádio é patrimônio histórico da cidade e do Estado. É tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Mas o que isso significa?

 

Significa que qualquer obra, por menor que seja, deve ser aprovada pelos dois conselhos antes da primeira marretada.

 

Preservar a arquitetura do Pacaembu é uma das preocupações de quem é contra sua concessão ao Corinthians, debate público que a Prefeitura propôs por meio de sua secretaria de esportes.

 

É uma exigências assegurada por lei. O Corinthians, se assumir a condição de novo administrador, terá de acatar as determinações legais dos órgãos públicos.

 

O problema, todos concordam também, é que a arena precisa ser modernizada. Estacionamento, banheiros melhores e de fácil acesso, bares, camarotes, mais cadeiras, tudo isso está nos planos tanto do clube quanto da Prefeitura.

 

Jorge Eduardo Rubies, presidente da ONG Preserva SP, diz não se opor a eventuais modificações. Mas pede cuidado. "Desde que a arquitetura original seja preservada, tudo bem." Já Cecília Cristina dos Santos, professora de arquitetura da Universidade Mackenzie, expõe um temor: a de que o monumento tombado se torne alvo da ira de torcedores.

 

Restrições

 

O administrador do Pacaembu, Aléssio Gamberini, explica que todo o estádio é tombado e que qualquer obra precisa passar pelo crivo dos conselhos municipal e estadual. "São entidades sensíveis. Se forem convencidas de que o local precisa se modernizar, as obras serão autorizadas."

 

Foi assim com o Museu do Futebol, inaugurado no ano passado após 13 meses de trabalho. Sete mil metros quadrados da parte interna e frontal do estádio foram alterados. "Abriram precedente para a instalação do Museu, que é moderno e só agrega valor. Por isso, acredito que a construção de mais banheiros e bares, por exemplo, seria aceita também."

 

Ainda segundo o administrador, o que não pode ser modificado de jeito nenhum é a fachada do Pacaembu, os portões frontais e laterais, os muros e a altura do estádio. "O Pacaembu não pode crescer. Mas nada impede que o gramado seja rebaixado para novas arquibancadas."

 

O arquiteto Carlos De La Corte defendeu em tese de doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2007, a necessidade reformas no local. "As dificuldades são bem maiores de intervir em edifício com a carga histórica do Pacaembu", aponta o autor na página 194 de um calhamaço de 610. "Mas o Estádio Olímpico de Berlim mostra que é possível reformar respeitando características históricas." É isso que o Timão terá de fazer.

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