Reprodução/Ana Maria Macagnan/Zoo SP
Reprodução/Ana Maria Macagnan/Zoo SP

Patrimônio ambiental de SP, dois filhotes de mico-leão-preto nascem no zoo da capital

Ameaçada de extinção, espécie é símbolo da conservação da fauna no Estado e soma agora 35 indivíduos; na natureza, população está estimada em 1,4 mil

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2020 | 08h49

Dois filhotes de mico-leão-preto nasceram na Fundação Parque Zoológico de São Paulo no último dia 16 de agosto. Única espécie endêmica - que ocorre somente em uma determinada área ou região geográfica - no Estado, os animais estão na categoria “Em Perigo de Extinção”, tanto na lista nacional como na classificação internacional da IUCN (International Union for Conservation of Nature). Desde 2014, o mico-leão-preto é considerado patrimônio ambiental de São Paulo e animal símbolo da conservação da fauna.

A instituição registrou o nascimento dos dois filhotes em uma área interna e restrita conhecida como “Micário”, local destinado à reprodução de três das quatro espécies de micos-leões existentes: mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) e mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia).

Com a chegada dos novos moradores, a população na Fundação soma agora 35 indivíduos, sendo esta a maior do mundo mantida sob cuidados humanos. Segundo o Zoológico, os filhotes irão permanecer com os pais por um longo período, recebendo todos os cuidados necessários para o pleno desenvolvimento. 

De acordo com o censo realizado no ano de 2019 com a espécie, a população cativa global é composta por apenas 61 indivíduos, número muito reduzido para um programa de conservação em longo prazo.

Na natureza, a situação também é preocupante: a população está estimada em 1,4 mil, apresentando um declínio continuado relacionado principalmente à perda, fragmentação e desconexão de habitat.

Reprodução em cativeiro

A Fundação Zoológico é uma das poucas instituições que consegue reproduzir o mico-leão-preto em cativeiro, fato importante para o futuro da conservação deste tipo raro de primata

Para isso, o manejo é guiado por estudos genealógicos das populações cativas de todo o mundo, que são reunidas em um livro chamado Studbook. Por meio dessas informações e parcerias de zoológicos com instituições mantenedoras da espécie, são selecionados animais visando alcançar o sucesso reprodutivo.

Após o processo de seleção, são realizadas recomendações para a formação de casais levando em consideração a estrutura genética e demográfica das populações mantidas sob cuidados humanos. Já a etapa seguinte contempla o intercâmbio entre as instituições para viabilizar  a reprodução.

Por recomendação do Plano de Manejo do Mico-leão-preto, em março de 2017, a Fundação Zoológico enviou ao Durrel Wildlife Conservation dois machos e uma fêmea da espécie para aumentar a população de segurança ou backup de micos no mundo.

Em julho de 2018, dois animais haviam nascido nesta instituição internacional que tem como propósito salvar espécies ameaçadas da extinção, sendo a mãe oriunda do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro e o pai, do Zoológico paulista.

A instituição explica que a espécie foi vítima da crescente e desordenada ocupação humana, que avançou sobre seu habitat e o reduziu a poucos fragmentos isolados e altamente impactados pela ação do homem.

O impacto foi tão grande que a espécie chegou a ser considerada extinta por mais de seis décadas, mas surpreendeu a comunidade científica ao ser novamente avistada em 1970, no Parque Estadual Morro do Diabo, no extremo oeste do Estado de São Paulo. Nos anos seguintes, outros nascimentos foram registrados.

Nestes últimos meses, a Fundação Zoológico informou que também registrou outros importantes nascimentos de espécies nativas ameaçadas de extinção, como a arara-azul-de-lear e o sagui-da-serra-escuro.

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