Pátio do Colégio conta a história de 559 anos da cidade

Construção atual é a quarta versão da igreja feita pelos jesuítas na região central e abriga museu e biblioteca

O Estado de S.Paulo

24 Março 2013 | 02h02

"O maior marco, o lugar que traz mais visibilidade aos jesuítas em São Paulo é, sem dúvida, o Pátio do Colégio", comenta o padre Carlos Alberto Contieri, diretor do complexo - igreja, museu e biblioteca. "Afinal, é o ponto oficial da fundação da cidade."

Ele está certo. Mas o Pátio que existe hoje não passa de uma invenção, de uma tentativa de recriação da história. A construção atual é uma réplica. E, na opinião de especialistas, como o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, feita de forma fantasiosa, com estrutura de concreto armado e interiores diferentes do original.

Iniciada com as comemorações do IV Centenário, em 1954, e inaugurada 25 anos depois, o que há hoje no pátio é a quarta versão da igreja jesuíta. Da primeira capela, poucos registros ficaram. Tratava-se de algo muito rudimentar, coberta com sapé. Media 4,48 m por 8,20 m.

Ficou pronta em 1557 a segunda construção, já de taipa. A terceira, cujas obras iniciaram em 1667, levou 16 anos. Em 1760, os 22 jesuítas que viviam em São Paulo foram expulsos, mandados para Portugal.

Na noite de 13 para 14 de março de 1896, boa parte da construção desabou durante um temporal. "Nessa época, os jesuítas já tinham retornado a São Paulo. Viram a queda e nada puderam fazer", comenta a historiadora Carla Galdeano, coordenadora do museu do Pátio do Colégio.

Em 1954, nas comemorações do IV Centenário, conseguiram que fosse colocada ali a pedra fundamental do novo Pátio do Colégio. Ele foi reinaugurado nos anos 1970. "Mas, de papel passado mesmo, a prefeitura só nos devolveu o local em 1986", conta o padre Contieri. / E.V.

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