Keiny Andrade/AE
Keiny Andrade/AE

Pastel de feira agora terá controle de qualidade

Feirantes terão de informar o local, condições de preparo do produto e quem é o responsável; fiscalização pode ser feita na casa do comerciante

Mônica Pestana e Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

A aposentada Nilceia Nigro, de 65 anos, admite que nunca se preocupou em saber como é preparada a massa do pastel que saboreia quase toda semana. "Só olho se o lugar é limpinho", diz ela, enquanto come um de palmito em uma feira livre na Pompeia, zona oeste de São Paulo. Mas uma determinação da Prefeitura deve facilitar a vida de Nilceia. Os feirantes terão que informar à administração como, onde e por quem o pastel é preparado.

O objetivo da portaria editada pela Supervisão de Abastecimento (Abast) - órgão da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras - é monitorar a fabricação das massas, verificando todas as questões sanitárias. A nova regra também vale para comidas típicas - como yakissoba, tapioca, pamonha e churros -, além de doces caseiros.

Há a possibilidade de os feirantes receberem vistorias no local de produção - na maioria da vezes, a própria casa do feirante. "Queremos saber onde o produto está sendo produzido. Não queremos fiscalizar, mas educar", diz o supervisor de abastecimento, José Roberto Graziano.

A nova determinação não prevê, pelo menos inicialmente, multas a comerciantes que forem flagrados em condições irregulares. Em um caso extremo de más condições, o feirante terá de interromper a produção.

Os feirantes terão de informar, no momento da renovação da matrícula de licença, o endereço e as condições em que o produto é preparado. Além disso, o responsável pela produção deve obrigatoriamente fazer o Curso de Boas Práticas de Manipulação de Alimentos para Feiras Livres, que ensina medidas de higiene, limpeza e conservação.

O curso é oferecido gratuitamente pela Prefeitura. Os feirantes terão até março para se adaptar às normas.

Madrugada. A administração municipal não descarta vistorias sem aviso. O presidente do Sindicato dos Feirantes, José Torres, reclama que, além de ninguém ter sido consultado, essas vistorias podem ser inviáveis. "O pastel costuma ser produzido de madrugada na casa do feirante. Como vou abrir minha casa de madrugada?", questiona. "Não somos contra, mas o ideal seria que a fiscalização comprasse o pastel e levasse para análise."

Para o feirante Mitsuro Omine, que trabalha na Rua Tavares Bastos, na Pompeia, o curso é importante e dá boas noções básicas. "Não pode usar brinco, relógio e pulseira. O boné eu também não usava e passei a usar depois que fiz o curso, no ano passado. É bom ter esse tipo de orientação", avalia.

Para o feirante Roberto Chinen, de 49 anos, que atua na Alameda Fernão Cardim, Cerqueira Cesar, na zona sul, esse controle é excessivo. "É falta do que fazer da Prefeitura. Eles estão pegando no pé direto", diz.

REAÇÕES

Maurício Zimbicki da Silva

Motorista, 42 anos

"Geralmente eu só olho se o avental está limpo. Mesmo se eu perguntasse sobre a massa, não tem como saber se eles fazem tudo certinho"

Maria Helena Medeiros Rodrigues

Aposentada, 75 anos

"De comida de rua, só como pastel mesmo e evito o resto. Não dá para ter certeza de como eles fazem. Pelo menos têm de usar boné, avental"

Jorge Mitsuomafoei

Pasteleiro, 50 anos

"Precisa fiscalizar porque tem muito profissional ruim que não faz coisas básicas de higiene. Ainda não fui informado que a Prefeitura vai fiscalizar"

Mitsuro Omine

Feirante, 42 anos

"Tem cliente que pergunta tudo e quer saber quem fez a massa, mas a maioria não parece se importar muito"

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