Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Passistas plus size e com samba no pé

Rosas mostra que a folia ‘não tem manequim’

Valéria França,, Especial para o Estado

09 Fevereiro 2018 | 05h00

SÃO PAULO - A paulistana Juliana Jurado, de 32 anos, sambou muito para conseguir uma vaga de passista no desfile da Rosas de Ouro desse ano. Enfrentou um concurso com 40 concorrentes.

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Mostrou o máximo de sua simpatia, carisma e samba no pé (é claro). Foi escolhida pelos jurados, mas aí para frente foram quatro meses de preparação. No primeiro ensaio técnico no Sambódromo de São Paulo, veio o primeiro desapontamento. Alguém da plateia gritou: "Gorda agora quer sambar." 

Juliana tem 1,70 metro e pesa 108 kg. Vestia um macacão bem curtinho colado ao corpo. "Quando ouvi isso, fiquei deprimida na hora. Mas no instante seguinte, pensei nas minhas bolhas dos pés - adquiridas nos últimos meses -, que doíam muito. Pensei em como estava molhada por causa da chuva que caía. Então levantei a cabeça e sambei mais ainda."

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A representante comercial está entre as nove passistas plus size que ingressaram na escola no projeto Renovação implementado por Campitelli Brasil, diretor da ala. "Não queremos uma festa artificial, formada só por mulheres elegantes de barriga chapada." 

Quando Brasil fez o primeiro chamado em outdoor, 80 mulheres se inscreveram. Muitas traziam a experiência e a frustração de terem sido recusadas em várias escolas. 

Hoje, no desfile da Rosas, as passistas surgirão na frente do terceiro carro, puxado por Rita Cadillac, expressando os perigos e os amores da estrada. 

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