Passista de última hora ainda acha fantasia em SP

Das 14 escolas que desfilam no Grupo Especial, 11 ainda vendem alegorias para foliões atrasadinhos; preço vai de R$ 200 a R$ 550

CRISTIANE BOMFIM, TIAGO DANTAS, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2012 | 03h04

Não dá para escolher muito, mas quem decidir na última hora desfilar neste carnaval ainda consegue comprar fantasias de algumas alas de escolas de samba do Grupo Especial, que se apresentam nesta sexta e sábado no Anhembi. Por enquanto, apenas três escolas não têm mais fantasias: Vai-Vai, atual campeã, Águia de Ouro e Gaviões da Fiel.

O valor das alegorias que ainda estão à venda variam de R$ 200 a R$ 550. A previsão das escolas de samba é de que até amanhã todas as fantasias tenham dono. Por causa da proximidade do carnaval, a venda pela internet, feita por algumas agremiações, não está mais disponível.

"Quem decidiu desfilar agora tem de correr. Ainda temos algumas opções, mas é bom se adiantar por causa dos ajustes, especialmente nos sapatos", afirma a presidente da Rosas de Ouro, Angelina Basílio. A escola costuma lotar sua quadra com 5 mil pessoas em dias de ensaio. A fantasia custa de R$ 400 a R$ 550.

Na Mancha Verde, comandada por torcedores do Palmeiras, as fantasias valem, em média, R$ 250. Ainda restam roupas de destaques de dois carros alegóricos, que são mais caras: R$ 1.000. Quem quiser defender a Tom Maior, por exemplo, terá pouquíssimas opções. Até ontem, restavam apenas 20 fantasias.

Na Mocidade Alegre, que homenageará o escritor Jorge Amado, a venda de fantasias só acaba quando todas tiverem dono, garantiu Nestor Cirino da Silva, de 60 anos, conhecido como Biro. "O ideal é que as pessoas se preparem com antecedência para o carnaval, mas nem sempre isso acontece. Algumas alas têm fantasias sobrando", diz ele, que já encerrou a venda das cem fantasias da ala que dirige há 27 anos.

Folia garantida. Deixar a escolha para a última hora fez com que a monitora de qualidade Juliana Rodrigues, de 29 anos, ficasse sem a fantasia desejada, mas isso não vai impedi-la de desfilar. "Tinha escolhido uma no sábado, mas, quando cheguei na escola hoje (ontem), já tinha acabado. Acabei pegando outra, que também é muito bonita", diz Juliana, que sairá no segundo carro alegórico da Camisa Verde e Branco.

"Vai ser a primeira vez que vou no carro. Fiquei empolgada com o ânimo da comunidade e resolvi comprar a fantasia", afirma a jovem, que desfilou por cinco anos seguidos na agremiação, mas passou os últimos quatro carnavais sem aparecer na avenida.

Para não correr nenhum risco e defender a Mocidade Alegre, o professor André Luis da Silva Ferreira, de 43 anos, se antecipou e foi o primeiro a comprar duas fantasias. "Comprei a da minha mulher e a minha em dezembro para não ter nenhum susto", conta ele, que desfila desde 2005 pela Morada do Samba, como a agremiação é conhecida.

"Acho natural que deixem para comprar na última hora. Muita gente começa a pensar no assunto em janeiro e ainda prefere frequentar a escola antes de decidir ir para o sambódromo como integrante", diz o professor.

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