Francisca Rodrigues/Divulgação
Francisca Rodrigues/Divulgação

Passeio por Paraisópolis revela lado cultural da segunda maior favela da capital

Projeto faz um tour pelas casas de três artistas e já levou mais de 200 pessoas para dentro da comunidade

Gheisa Lessa, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2014 | 18h35

Com um ano e três meses de vida, o tour Paraisópolis das Artes apresenta aos visitantes os lados positivos da segunda maior favela do País. Administrado por membros da União de Moradores da comunidade, o tour custa R$150 e já apresentou o interior de Paraisópolis para 289 pessoas e arrecadou cerca de R$ 30 mil.

Toda a verba arrecadada com o tour é revertida integralmente para a comunidade. Este é um dos objetivos da criação do percurso: apresentar os destaques culturais e artísticos da favela e arrecadar fundos para melhorias e realização de eventos para os moradores. 

Criado em setembro de 2013, o trajeto segue com o mesmo roteiro até hoje: um morador da comunidade acompanha os visitantes a partir da sede da União dos Moradores até o centro comercial de Paraisópolis. Eles passam pelas obras de urbanização e o guia apresenta os projetos sociais desenvolvidos na comunidade - como o Ballet Paraisópolis, a Rádio Comunitária Nova Paraisópolis FM e o Jornal Comunitário "Jornal Espaço do Povo". Os turistas visitam as casas de artistas moradores da região. 

Artistas. Entre os pontos visitados ao longo do tour Paraisópolis das Artes, estão as casas de três artistas moradores da comunidade. Uma totalmente revestida de garrafas pet, usou mais de 26 mil unidades para acabar se tornando referência local. Antenor é o criador da 'casa de Pet'. 

Outra residência contemplada pelo tour é construída totalmente de pedra e, mesmo sem a intenção, acabou sendo comparada  às obras de arte do arquiteto catalão Antoni Gaudí. Esta é a conquista de Estevão Conceição, que mora em sua maior obra de arte. Foram quase trinta anos de empenho e pedras para se tornar o "Gaudí Brasileiro". 

Edinaldo da Silva, de 49, o "Berbela" é mecânico e ficou famoso na região após transformar materiais considerados desacatáveis em obras de arte. 

Serviço

O valor do passeio é R$ 150 por pessoa, para estudantes o valor é R$ 75.

O ponto de encontro é na União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis (UMCP), na Rua Ernest Renan, 1.366. Os interessados em participar devem ligar para 11 3741-0400.

Paraisópolis. A favela tem 788 m², com 17.159 imóveis, de acordo com a Prefeitura de São Paulo, existem mais de 100 mil habitantes na região. Esta é a segunda maior favela do Estado, perdendo em número de moradores para a comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro.

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