Nilto Fukuda/Estadão
Nilto Fukuda/Estadão

Passe livre custaria 100% de arrecadação do IPTU, diz Haddad

Prefeito afirma que debate sobre gastar R$ 8 bilhões por ano em subsídios pode ser feita durante as eleições municipais

O Estado de S. Paulo

15 de janeiro de 2016 | 11h02

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse, em entrevista ao jornal Valor Econômico publicada nesta sexta-feira, 15, que se atendesse às reivindicações de tarifa zero do Movimento Passe Livre (MPL) teria de gastar R$ 8 bilhões por ano em subsídios, o equivalente à arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Segundo o prefeito, a aplicação do passe livre total significaria um gasto quatro vezes superior ao subsídio pago hoje pela administração municipal. No ano passado, a Prefeitura gastou R$ 2 bilhões com subsídios - o maior valor da história da cidade - ante R$ 1,7 bilhão em 2014.

"Alguém tem de pagar o passe livre. A pauta do movimento, de passe livre para todos, significa R$ 8 bilhões de subsídio. É óbvio que alguém pode propor isso. Quem sabe não aparece um candidato que defenda essa tese, que fale 'olha, vou pegar todo o IPTU da cidade - que é mais ou menos o que custa o sistema de transporte -, e vou usar para passagem grátis para todo mundo'?", disse Haddad, sugerindo que o tema pode ser discutido durante as eleições municipais.

Questionado se vai revogar o aumento da passagem, que no último sábado, 9, passou de R$ 3,50 para R$ 3,80, o prefeito afirmou que o assunto será debatido em outubro. "Vamos discutir de forma madura. O dinheiro da Prefeitura é dinheiro do povo. Se o povo entender que vale a pena colocar 100% do IPTU no transporte tirando de saúde, educação, é um direito da democracia, mas tem regras democráticas para decidir isso", destacou.

Na entrevista, Haddad disse que considera "estranho" ver estudantes protestando contra o aumento do passagem. "O trabalhador tem vale-transporte. O estudante está mais preocupado com o trabalhador do que com... Acho isso estranho, só o estudantes estão na rua." 

Conforme o prefeito, são 530 mil estudantes no passe livre, a um custo de R$ 700 milhões por ano para a municipalidade. "Só o Passe Livre Estudantil, que foi um gesto de diálogo com o movimento, corresponde a um subsídio de R$ 700 milhões por ano. É o orçamento da Secretaria da Cultura, por exemplo", afirmou. O Passe Livre Estudantil abrange 70% dos alunos, de escola pública e baixa renda. 

Idosos a partir dos 60 anos, que também não pagam passagem, além dos estudantes, representam 22% de passagens gratuitas de ônibus. No total, 2,2 milhões de pessoas não pagam passagem, segundo informações de Haddad.

Polícia. O prefeito evitou fazer críticas à ação policial nas manifestações contra o aumento da tarifa. "É difícil fazer avaliação de uma corporação que não está sob seu comando, até porque você pode sofrer as consequências disso, como aconteceu em 2013, em que a partir de um breve comentário meu nós sofremos no dia seguinte as consequências. Quase perdemos dois prédios históricos da cidade, a sede da prefeitura e o Teatro Municipal", disse.

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