Passe Livre fecha M'Boi Mirim por 4h

Com barricadas e fogo, 300 manifestantes pediram volta de linhas extintas; SP terá mais três protestos liderados pelo MPL até sexta

Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2013 | 03h03

Um protesto por melhorias no transporte público fechou a Estrada do M'Boi Mirim, na zona sul de São Paulo, por cerca de 4 horas, na manhã dessa segunda-feira, 21. O ato que reuniu cerca de 300 pessoas foi o primeiro de quatro programados até sexta-feira pelo Movimento Passe Livre (MPL), responsável pelos protestos de junho que resultaram na queda da tarifa de R$ 3,20 para R$ 3.

"A gente vai fazer alguns atos regionais, com pautas específicas do transporte de cada região. Hoje (ontem), o ato foi pelas linhas extintas e pela duplicação da M'Boi Mirim", afirma Nina Capello, do MPL.

O protesto começou às 4h50. A via amanheceu com barricadas de fogo, em manifestação cobrando a volta imediata de oito itinerários. "Essas linhas estão sendo reestruturadas sem nenhuma consulta à população", afirma Nina. "Muitas pessoas são prejudicadas porque as linhas que usavam foram cortadas e agora têm de andar mais até o ponto ou então parar num terminal e ficar mais tempo esperando", diz.

O grupo de manifestantes caminhou pela Estrada do M'Boi Mirim no sentido da Avenida Guarapiranga, até a subprefeitura. Por causa do bloqueio, muitos trabalhadores desceram dos ônibus e seguiram a pé. Não houve confronto com a polícia.

A próxima manifestação acontece amanhã no Grajaú, a partir das 17h, na Avenida Belmira Marin. O protesto cobra linhas circulares 24 horas e a extensão do trem até Parelheiros. Na quinta-feira, a manifestação será no Terminal Campo Limpo, também a partir das 17h. Mais uma vez, o pedido é a volta de linhas extintas.

Grande ato. A maior manifestação deve acontecer na sexta-feira, a partir das 17h, na frente do Teatro Municipal. "Mostraremos que a tarifa zero pode ser uma realidade colocando-a em prática: neste dia ninguém paga passagem", afirma o movimento em seu perfil no Facebook.

O evento exige a tarifa gratuita na capital. Os integrantes do MPL afirmam ter colhido 500 mil assinaturas na tentativa de aprovar um projeto de lei para garantir a gratuidade da passagem. Nos bastidores, integrantes da administração Haddad consideram a exigência impossível.

Reorganização. Questionada sobre as reclamações dos manifestantes, a São Paulo Transporte (SPTrans) informa, por meio de nota, que "a racionalização e a reorganização das linhas do sistema de transporte coletivo vêm ocorrendo de forma gradativa e vão reduzir a sobreposição de linhas na cidade".

Segundo o órgão, do início deste ano até 19 de outubro, 80 linhas foram substituídas na capital. A Prefeitura afirma ainda que foram criadas 18 linhas, 3 foram unificadas, 2 foram prolongadas e houve 22 integrações por causa da inauguração do Terminal Pinheiros, na zona oeste da cidade.

A gestão Haddad afirma que, em médio e longo prazo, "os usuários terão mais opções de trajeto e menor tempo de deslocamento em suas viagens".

Para a região de M'Boi Mirim, a administração diz que há obras viárias e uma reorganização a ser realizadas. "As alterações ocorridas no sistema de ônibus daquela área e gerenciadas pela SPTrans foram pontuais e se deram especialmente entre os anos de 2010 e 2012", afirma a nota.

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