Felipe Rau/AE
Felipe Rau/AE

Passe Livre diz que poderá fazer novos protestos por tarifa zero

Grupo confirmou nova manifestação na tarde desta quinta-feira, em uma entrevista coletiva pela manhã

Luciano Bottini Filho - O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2013 | 14h43

SÃO PAULO - O Movimento Passe Livre (MPL) ainda decidirá sobre novos protestos nas ruas pela tarifa zero no transporte público em São Paulo após a revogação do aumento da tarifa. O grupo confirmou uma nova manifestação, a sétima desde o dia 6, na tarde desta quinta-feira, 20, em uma entrevista coletiva pela manhã. Segundo os ativistas, o ato será uma resposta ao “apoio popular” recebido nas ruas e pedirá o arquivamento dos processo criminais contra pessoas que participaram dos eventos e o fim da repressão policial nas cidades que ainda não tiveram redução do valor do bilhete. O evento será na Praça do Ciclista, na região da Paulista, às 17 horas.

“A cidade não esquecerá o que viveu nas últimas semanas. Aprendemos que só a luta dos de baixo pode derrotar os interesses impostos de cima”, afirmou o grupo, em um comunicado feito no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, na manhã desta quinta. O MPL mantém a reivindicação de tarifa zero, mas diz que ainda não decidiu se vai promover novos protestos, além do ato marcado para a tarde desta quinta.

 

De acordo com os representantes do MPL, a rede advogados que apoia o grupo está avaliando os casos de presos e pessoas processadas depois dos protestos, por se sentirem responsáveis pela convocação do ato e mobilização das pessoas nas ruas. Os advogados estão verificando quem agiu de forma criminosa ou foi detido por repressão social. Os vândalos ou criminosos reincidentes serão encaminhados para a Defensoria Pública, segundo o MPL.

“ O movimento não faz distinção (de nenhum acusado). Na repressão, não importa se é um integrante do Passe Livre, jornalista ou morador de rua. Ninguém que foi preso e está sendo processado por conta das manifestações deve seguir processado e detido”, afirmou Mayara Vivian, uma das ativistas que representam a organização. Ela diz que o movimento tem dúvidas ainda sobre se as pessoas acusadas realmente são culpadas e vai analisar os casos. Na coletiva, o MPL se posiciou a favor da ocupação das ruas de forma pacífica.

Leia a íntegra de texto divulgado pelo MPL após a revogação das tarifas:

"A cidade não esquecerá o que viveu nas últimas semanas. Aprendemos que só a luta dos de baixo pode derrotar os interesses impostos de cima. A intransigência dos governantes teve de ceder às ruas tomadas, às barricadas e à revolta da população.

Não foi o Movimento Passe Livre, nem nenhuma organização, que barrou o aumento. Foi o povo. 

O povo constrói e faz a cidade funcionar a cada dia. Mas não tem o direito de usufruir dela, porque o tranporte custa caro. A derrubada do aumento é um passo importante para a retomada e a transformação dessa cidade pelos de baixo.

A caminhada do Movimento Passe Livre, que não começa nem termina hoje, continua rumo a um transporte público sem tarifa, onde as decisões são tomadas pelos usuários e não pelos políticos e pelos empresários. Se antes eles diziam que baixar a passagem era impossível, a revolta do povo provou que não é. Se agora eles dizem que a tarifa zero é impossível, nossa luta provará que eles estão errados.

Por uma vida sem catracas!

Movimento Passe Livre São Paulo."

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