Passe Livre diz que não aceitará aumento da passagem em SP

Passe Livre diz que não aceitará aumento da passagem em SP

Grupo responsável pelas grandes manifestações de 2013 informou que elevação do preço da tarifa é injusta

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2014 | 09h11

SÃO PAULO - Protagonista das grandes manifestações de junho de 2013, o Movimento Passe Livre (MPL) publicou uma nota em seu site afirmando que não aceitará "nenhum aumento da tarifa" dos transportes em São Paulo e que a população "tem poder para decidir como deve ser o transporte", lembrando as manifestações do passado. Atualmente, a Prefeitura vem avaliando a possibilidade de elevar o preço da passagem de ônibus, que hoje custa R$ 3.

O grupo informou, em mensagem nesta quinta-feira, 27, que "todo aumento da tarifa é um roubo, porque cobrar pelo uso do transporte é uma injustiça". O MPL foi o responsável pelo estopim das marchas que paralisaram a capital paulista e outras grandes cidades no ano passado, levando a gestão municipal de Fernando Haddad (PT) e a administração estadual de Geraldo Alckmin (PSDB) a anular o reajuste praticado na época, quando a tarifa de ônibus, metrô e trem subiu para R$ 3,20.

Naquele momento, os manifestantes engajaram-se no mote "não é só pelos vinte centavos", cobrando das autoridades mais eficiência, conforto e qualidade no sistema público de transportes.

Agora, o grupo critica o fato de o dinheiro público repassado às empresas de ônibus não ter parado de crescer nos últimos tempos. "Desde junho de 2013, o subsídio das empresas só aumentou, sem qualquer diminuição nos seus lucros, ou mudança na forma de remuneração." O MPL questiona: "Por que não se fala em tirar os lucros das empresas, ao invés de cobrar mais por um direito de todos?"

Na avaliação do movimento, o poder público cogita elevar o custo dos transportes para a população "enquanto as empresas lucram cada vez mais em cima do dinheiro público e do nosso sufoco -- maximizando os ganhos com a superlotação dos ônibus, a remuneração por passageiro, os cortes de linhas e as filas nos terminais".

Para o MPL, "o transporte deve ser público, acessível para todos e não apenas para aqueles que podem pagar". Além de criticar suposta confusão nas declarações de membros da Secretaria Municipal dos Transportes a respeito da tarifa -- um funcionário da São Paulo Transporte chegou a descartar o aumento em 2015, mas o secretário Jilmar Tatto em seguida disse que não há como descartar essa hipótese --, o grupo afirma que a decisão de subir ou não o preço "é política".

Também é criticada uma possível integração do valor das passagens em toda a Região Metropolitana de São Paulo, "em cidades que possuem sistemas de transporte, custos e tamanhos totalmente diferentes", o que evidencia, para o MPL, que a questão é "política, e não técnica". Em Guarulhos, haverá aumento para R$ 3,50.

Abertamente, tanto Haddad quanto Alckmin nada falam sobre um possível aumento, mas nos bastidores aventa-se a possibilidade de subir o preço das passagens ainda em janeiro, mês de férias, o que poderia prejudicar a mobilização de movimentos populares contrários ao reajuste.

Neste ano, a Prefeitura deverá gastar, com subsídios ao sistema de ônibus, R$ 1.524.670.000,00. No ano passado, foram destinados para isso, R$ 1.188.630.571,00.

O governo de Haddad ainda espera a conclusão de uma auditoria feita pela empresa Ernst & Young nas contas do sistema de ônibus para verificar se há meios de reduzir os seus custos e, consequentemente, diminuir a quantidade de dinheiro público gasto com o serviço. O resultado final desse estudo será publicado em 10 de dezembro.

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